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Um relatório da Oxfam mostrou que os poucos bilionários do planeta têm mais riquezas que mais da metade da população mundial, o que levanta discussões sobre a desigualdade

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Desigualdade mundial deve crescer


Pouco mais dos 2 mil bilionários do planeta detêm mais riqueza do que outras 4,6 bilhões de pessoas, o que representa cerca de 60% da população mundial. O dado é do relatório Tempo de Cuidar, da organização não governamental Oxfam , divulgado neste domingo (19). 

O estudo mostra, ainda, que o 1% mais rico do mundo tem mais do que o dobro de riqueza que 6,9 bilhões de pessoas . Além de retratar a extrema desigualdade, o relatório aponta para o fato de que ela está relacionada diretamente com a desvalorização do trabalho de mulheres e meninas, sobretudo as que estão na base da pirâmide econômica. No mundo todo, homens detêm 50% mais riqueza do que mulheres. 

“Milhões de mulheres e meninas passam boa parte de suas vidas fazendo trabalho doméstico e de cuidado, sem remuneração e sem acesso a serviços públicos que possam ajudá-las nessas tarefas tão importantes”, afirma a diretora executiva da Oxfam Brasil, Katia Maia, à Agência Brasil. 

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Segundo cálculos da Oxfam, o valor monetário global do trabalho de cuidado não remunerado prestado por mulheres a partir dos 15 anos é de US$ 10,8 trilhões por ano, três vezes maior que o estimado para o setor de tecnologia do mundo.

Katia destacou a forte contribuição da questão de gênero na desigualdade mundial . “Se você juntar os 22 homens mais ricos do mundo, eles têm a mesma riqueza que todas as mulheres que vivem na África, que é em torno de 650 milhões”.

Segundo a Oxfam, as mulheres fazem mais de 75% de todo trabalho de cuidado não remunerado do mundo. Frequentemente, diz a organização, elas trabalham menos horas em seus empregos ou têm que abandoná-los por causa da carga horária com o cuidado de crianças, idosos e pessoas com doenças e deficiências físicas e mentais bem como o trabalho doméstico diário.

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Desigualdade deve aumentar

Se o problema já parece grave o suficiente, a organização afirma que ele deve se agravar na próxima década. À medida em que a população aumenta e envelhece , cresce também o número de pessoas que precisam de cuidados

Esse tipo de trabalho, geralmente desempenhado por mulheres e mal remunerado , deve colaborar para o aumento da desigualdade . De acordo com a pesquisa, no Brasil, em 2050, serão cerca de 77 milhões de pessoas que vão depender de cuidado, o que representa pouco mais de um terço da população estimada entre idosos e crianças, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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“O mundo enfrenta uma crise de prestação de cuidados devido aos impactos do envelhecimento da população, a cortes em serviços públicos e sistemas de proteção social e aos efeitos das mudanças climáticas – ameaçando piorar a situação e aumentar o ônus que recai sobre trabalhadoras de cuidado”, diz o documento.

Impostos sobre os mais ricos

Outro ponto levantado pelo documento é o de que os governos cobram alíquotas fiscais baixas dos mais ricos e de grandes corporações. De acordo com o estudo, se o 1% mais rico do mundo pagasse uma taxa extra de 0,5% sobre sua riqueza nos próximos 10 anos, seria possível criar 117 milhões de empregos em educação, saúde e de cuidado para idosos.

“Em vez de ampliar programas sociais e gastos para investir na prestação de cuidado e combater a desigualdade, os países estão aumentando a tributação de pessoas em situação de pobreza, reduzindo gastos públicos e privatizando a educação e a saúde, muitas vezes seguindo o conselho de instituições financeiras como o Fundo Monetário Internacional (FMI)”, diz o documento.