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Ao falar publicamente que sofreu discriminação sexual na empresa que trabalhava, a executiva Stacey Macken retoma a discussão sobre o tema

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Reprodução/Facebook
Stacey Macken teve decisão favorável ao denunciar que sofria abusos e discriminação sexual

No último mês, a corretora de um dos maiores bancos da Europa, o BNP Paribas, conseguiu uma decisão favorável a sua denúncia de desigualdade salarial motivada por discriminação sexual

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Mesmo sendo, por oito anos, vice-presidente do Deutsche Bank, Stacey Macken foi contratada pelo BNP Paribas para uma vaga “júnior”, com o salário de 120 mil libras. Ao mesmo tempo, um colega homem, que exercia as mesmas funções, recebia 40 mil libras a mais.

Além disso, ela afirma passou por situações de assédio muitas vezes, tendo sido demitida por chefes e experimentado tratamentos grosseiros por parte dos outros colaboradores, como quando fizeram uma “brincadeira” que envolvia deixar um chapéu de bruxa em sua mesa. 

Embora as alegações de assédio tenham sido rejeitadas pelo tribunal de Londres, elas detalham o tipo de comportamento que algumas mulheres ainda acabam tolerando diariamente. "Ninguém realmente entende a escala do problema porque a maioria das pessoas tem medo de denunciar discriminação e assédio", disse Macken ao The Guardian.

"Se você for corajoso o suficiente para apresentar um problema ao seu empregador, ele poderá não ser investigado adequadamente e você poderá ser responsabilizado, amordaçado e perder o emprego como resultado”, denuncia ela.

O machismo no ambiente de trabalho é uma história antiga, global e frequente. Uma pesquisa recente com trabalhadores do Lloyd's of London, empresa que atua no mercado de seguros, mostrou que 500 de seus entrevistados sofreram ou já observaram assédio sexual de homens com mulheres nos últimos 12 meses.

Os relatórios sobre disparidades salariais entre homens e mulheres também revelaram que quase oito entre dez empresas britânicas pagam mais para homens do que para mulheres.

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Volta do movimento #MeToo

O caso de Macken chamou muita atenção na Europa, por ter sido um dos únicos a conseguirem um resultado positivo para a mulher nos tribunais. A repercussão fez com que a campanha viral na internet conhecida como “ #MeToo ” voltasse à tona.

Iniciada em 2017 no Twitter pela atriz Alyssa Milano após a série de denúncias de abuso sexual e estupro contra o produtor Harvey Weinstein e inspirada em um movimento de mais de 10 anos encabeçado pela ativista Tarana Burke, a ação fez com que muitas mulheres tomassem coragem para afirmar que já haviam sido vítimas de diversas vertentes do machismo no trabalho.

Para intensificar as denúncias e diminuir os número de abusos , Macken declarou que órgãos reguladores devem forçar as empresas a manter um registro de acusações de assédio e discriminação, e ter poderes para investigar empresas com o maior número de reclamações. “Também é preciso fazer mais para proteger os funcionários quando eles levantam preocupações”, disse.

Um porta-voz do órgão financeiro UK Finance respondeu que o setor tem uma política de tolerância zero à discriminação de qualquer forma, mas admitiu que ainda há mais trabalho a ser feito.

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A presidente da rede Women in Banking & Finance, Vivienne Artz, apoiadora do movimento #MeToo, afirmou ao The Guardian que a ação capacitou mulheres a denunciar comportamentos históricos e comentou a resposta do UK Finance: "Você pode dizer que já foi feito o suficiente quando as reclamações acabam", disse Artz. "E as queixas não pararam - elas ainda estão lá."