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Ao assumir cargo, Gustavo Montezano evitou falar sobre investigações e conclusões da CPI do BNDES e do Ministério Público Federal sobre o banco

A primeira meta como novo presidente do BNDES de Gustavo Montezano é explicar à sociedade o que ele chama de "caixa-preta" em dois meses. A declaração foi feita nesta terça-feira (16) quando assumiu oficialmente a liderança da instituição financeira . Segundo ele, essa é a primeira meta do banco até o fim do ano, de um total de cinco objetivos lançados pelo executivo.

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Valter Campanato/ABr
Gustavo Montezano assumiu a presidência do BNDES nesta terça-feira (16) e falou sobre a "caixa-preta"

"O que a gente está se propondo a fazer é explicar a caixa-preta . Existe hoje uma dúvida clara. O que sairá desse estudo que a gente está fazendo, prefiro não comentar agora", afirmou, acrescentando: "O que estou pedindo é um prazo de dois meses para formar a minha opinião a respeito do tema".

Para ele, a imagem do banco de fomento hoje é questionada e lembrou que a instituição vive de credibilidade. "Com foco empresarial, é importante termos uma explicação sobre a caixa-preta do BNDES , como marco zero. Precisamos tirar essa nuvem negra de cima do banco", disse o executivo.

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Um trabalho de promoção da transparência já vem sendo feito nos últimos anos no banco. Ainda na época do PT, o presidente Luciano Coutinho reagiu a pressões e deu acesso a informações sobre contratos de exportação de serviços de engenharia, como o Porto de Mariel, em Cuba. Tornou públicas ainda informações sobre 1.753 contratos domésticos.

Em 2016, no governo Michel Temer, o banco passou a mostrar cópias integrais dos contratos de exportação. Em 2018, começou a exibir no site mais detalhes sobre as operações. Este ano, o ex-presidente do banco Joaquim Levy apresentou de forma organizada dados sobre os maiores tomadores de recursos e apresentou em uma página informações sobre exportações, inclusive contratos inadimplentes.

Montezano garantiu que coordenará pessoalmente esse processo. Para ele, as informações de hoje são “desencontradas”. Ele evitou adiantar qualquer ponto sobre essa varredura que deverá ser feita nas contas do banco e disse estar aberto a qualquer tipo de conclusão.

"O que sairá disso eu prefiro não dizer agora. Nosso objetivo é ser transparente. Se, no final, alguém não ficar feliz ou contente, isso não vai nos forçar a revelar informações que não sejam consistentes", afirmou.

O novo presidente do BNDES acrescentou que não assume o banco com a função de julgar gestões anteriores, mas com a missão de fazer a instituição se desenvolver. "Sou um executivo. Não sou juiz, nem político. Não vou entrar no mérito do que os outros presidentes fizeram, se foi errado, eu vou fazer do meu jeito", completou.

Para Montezano , apesar dos principais dados das operações do banco já estarem disponibilizados no site da instituição, é importante explicar essas informações para a população.

"O que estamos nos propondo a fazer é explicar a caixa-preta. Ainda paira uma dúvida substancial na cabeça de população e políticos sobre isso", afirmou.

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O presidente do BNDES evitou comentar as investigações e conclusões da CPI do BNDES e do Ministério Público Federal sobre o banco. Os procuradores da operação Bullish, da Polícia Federal, que analisou aportes na JBS, tentaram atribuir crimes a cinco funcionários do banco, mas o juiz responsável rejeitou a denúncia contra eles no mês passado, afirmando que as evidências “negam peremptoriamente qualquer interferência, influência, orientação, pressão, constrangimento ou direcionamento” nos aportes.