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Em cerimônia de posse, Gustavo Montezano listou metas para o banco de fomento e defendeu alinhamento "total" com o governo federal. Confira

Paulo Guedes, Jair Bolsonaro e Gustavo Montezano arrow-options
Marcos Corrêa/PR
Paulo Guedes, Jair Bolsonaro e Gustavo Montezano em posse do terceiro como presidente do BNDES

Ao tomar posse como novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano disse nesta terça-feira (16) que a instituição será "menos banco e mais desenvolvimento". O economista afirmou que o alinhamento com o governo será “total” e estabeleceu cinco metas para o banco de fomento. A primeira dessas metas, pontuou, será explicar a “caixa-preta” da instituição, reivindicação do presidente Jair Bolsonaro.

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"O BNDES do futuro, o novo BNDES, será um banco de serviço, ajudando em privatizações, concessões e desinvestimentos, ajudando o setor público nas finanças", disse Montezano, durante discurso no Palácio do Planalto. "O BNDES será menos banco e mais desenvolvimento", completou.

Engenheiro e economista, Montezano foi escolhido no mês passado para presidir o banco no lugar de Joaquim Levy, que pediu demissão após ataques públicos de Bolsonaro. O capitão reformado chegou a dizer que ele estava com a "cabeça a prêmio". Escolhido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes , e amigo dos filhos de Bolsonaro, Montezano  defendeu uma gestão alinhada a Brasília:

"O alinhamento com o governo é total. Nós seremos o braço operacional da execução da política pública", anunciou. O novo presidente do BNDES listou ainda cinco metas para a instituição neste ano, sendo a primeira delas “explicar a caixa-preta para a população brasileira”. Segundo o governo, a falta de transparência marcou o banco de fomento nos últimos anos.

O novo presidente do BNDES disse ainda buscar acelerar a venda de “participações especulativas” na Bolsa de Valores que o banco ainda detém, que somam R$ 100 bilhões. A ideia é montar um cronograma para a venda das participações do banco em outras empresas. A carteira inclui ações em empresas de setores como elétrico, siderúrgico, de saneamento, de petróleo e imobiliário, e conta com gigantes como Vale e Petrobras.

"O país quebrou. O Estado entrou em atividades que não são suas funções. Deixou de cuidar de saúde, educação e segurança. Temos que mudar isso", pediu. Montezano afirmou que o BNDES irá devolver, neste ano, de forma antecipada, R$ 126 bilhões ao Tesouro Nacional.

"Vamos apresentar um plano trianual com orçamento e metas. E vamos melhorar a prestação de serviços desse banco ao estado brasileiro, permitindo que o Estado foque em segurança, saúde e educação", completou.

Bolsonaro afirmou que conhece o novo presidente “desde piá” e pediu transparência no banco. "O BNDES transparente, o BNDES servindo ao povo, esse povo a que nós devemos ter uma terrível lealdade, nos orgulha. Não precisa falar em responsabilidade, porque você, para chegar onde chegou, tem muita responsabilidade" disse o presidente da República.

Paulo Guedes, reiterou, durante a posse, a meta do governo de acelerar privatizações e de "despedalar" bancos públicos, promovendo desestatização do mercado de crédito no Brasil.

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Segundo o ministro da Economia, os juros no crédito livre são "altíssimos", com o crédito concentrado em "quatro, cinco" bancos e recolhimento dos depósitos compulsórios "muito alto". De acordo com o ministro, essa série de "imperfeições" joga os juros "na lua".