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Expectativas do presidente são de que Brasil seja um dos primeiros países a referendar acordo; ele acredita que acordo entrará em vigor em dois ou três

Líderes de países do Mercosul e UE em palco durante coletiva de imprensa
Alan Santos/PR
Líderes de países do Mercosul e da UE realizaram uma coletiva de imprensa em meio ao G-20 para anunciar acordo

O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste domingo esperar que o Congresso brasileiro seja um dos primeiros a aprovar o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), fechado na sexta-feira (28). Ao chegar no Palácio da Alvorada, depois de retornar do Japão, onde participou de uma reunião do G-20, Bolsonaro disse que a expectativa é que o acordo  entre em vigor em dois ou três anos. 

"Missão cumprida. Atingimos todos os objetivos. No meio do evento, houve a concretização (do acordo) do Mercosul . As informações que eu tenho são as melhores possíveis. Entra em vigor daqui a uns dois anos ou três, depende dos parlamentos. Vamos ver se o nosso aqui...Talvez seja um dos primeiros a aprovar. Espero", disse Bolsonaro.

A parte econômica do tratado , incluindo redução de tarifas, abertura do setor de serviços e isonomia nas licitações públicas para empresas instaladas nas duas regiões, depende da ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o que pode demorar de seis meses a um ano, de acordo de com a estimativa de fontes do governo brasileiro e do setor privado. Já o braço político do texto, que abrange desde o fortalecimento da cooperação em áreas estratégicas como ciência, tecnologia e inovação, defesa, infraestrutura, meio ambiente e energia só entrará em vigor após a ratificação de todos os parlamentos, incluindo os nacionais europeus.

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O presidente afirmou que o acordo só foi possível porque tem uma equipe escolhida por "critérios técnicos" e elogiou os ministros da Agricultura, Tereza Cristina, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. 

"Tenho uma boa equipe do meu lado, escolhida por critérios técnicos. Por isso o sucesso na viagem. A Tereza cristina, (ministra da) Agricultura, o nosso Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, a equipe econômica do Paulo Guedes também. São pessoas que eles indicaram, de confiança deles, competentes, para resolver os assuntos. Se fosse para lá um ministro indicado por um partido, secretário indicado por outro partido, não ia chegar a lugar nenhum, porque faltava para eles, com toda certeza, o compromisso de fazer algo pelo Brasil, e não para aqueles grupo que por ventura o indicou para aquela função", afirmou o presidente. 

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Bolsonaro ainda defendeu a ampliação da venda da carne brasileira e brincou dizendo que ofereceu um churrasco para autoridades japonesas porque o que comeu lá, com carne australiana, era "genérico":

"Em dois momentos, (me reuni) com delegações japonesas grandes. Como eles vão para o Chile, pedi para que passassem aqui, falaram que passarão, e pedi mais, pedi para que passem na hora do almoço, porque quero ofertar um churrasco com carne brasileira, porque o churrasco que eu comi lá com carna australiana não tem graça. É genérico. Aqui, sim, uma carne maravilhosa, que temos que abrir esse comércio da carne, não só para o Japão como para alguns (outros) países asiáticos, porque isso é muito bom para o Brasil", disse Bolsonaro, indo além do acordo entre Mercosul e União Europeia.