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Situação atinge 3,3 milhões de brasileiros e as mulheres são as mais afetadas

Os fracos sinais de recuperação do mercado de trabalho no Brasil são refletidos na demora para que os trabalhadores consigam uma realocação profissional. Atualmente, o país tem 3,3 milhões de brasileiros sem emprego há mais de dois anos. Este número revela que, em quatro anos, houve um crescimento de 42% de pessoas nesta situação.

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Carteira de trabalho
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
o Nordeste é a região com a maior fatia de desempregados nesta situação: 28,6%

Com base nos dados da Pnad Contínua do IBGE, referente ao primeiro trimestre de 2019, o estudo do Ipea também aponta que as mulheres são as mais afetadas pelo desemprego de longo prazo. Do total de desempregados nesta situação, 28,8% são mulheres, enquanto os homens representam 20,3% deste cenário.

"O número de desempregados de longo prazo é um recorde e sinal realmente de que a coisa se deteriorou bastante", avalia Maria Andreia Lameiras, técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea.

O aumento do contingente de desempregados há mais de dois anos, entre 2015 e 2019, cresceu principalmente entre os mais jovens, com 18 a 24 anos: 56,6%.

"Estudos mostram que passar por um período no desemprego, seja seis meses ou um ano, deixa marcas na trajetória profissional. A pessoa começa a ter menos oportunidades até a médio e longo prazo", aponta Carlos Henrique Corseuil, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2018 com igual período de 2019 (comparação interanual), a taxa de desemprego geral caiu de 13,1% para 12,7%. Entretanto, quando é feita a análise dos números por grupos, os jovens seguem com dificuldade para conseguir emprego .

Em termos regionais, o Nordeste é a região com a maior fatia de desempregados nesta situação: 28,6%. O Norte aparece na sequência, com 27,6%. Sudeste tem 23,6%; Centro Oeste, 20,5%; e Sul, 20,4%.

"O que vemos é que a região Sul não tem um problema estrututal de desemprego de longo prazo, pois não alcança ainda a média nacional, mesmo sendo sensível à situação crítica do país e tendo esse crescimento grande", aponta Corseuil.

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Desemprego entre os jovens

Pessoas andando na rua
WILSON DIAS-ABR
O número desempregados há mais de dois anos, entre 2015 e 2019, cresceu principalmente entre os mais jovens

No grupo que abrange os trabalhadores de 18 a 24 anos, a taxa de desemprego era de 28,1% no ano passado. Agora, o percentual recuou para 27,3%. Mesmo com a queda, quando a analise é feita por faixa etária, este é o grupo com o maior contingente de desempregados.

Maria Andreia Lameira, técnica do Ipea e responsável pela elaboração do estudo, pontua que o recuo no percentual de desempregados nesta faixa etária ocorre muito mais por conta de uma retração da população economicamente ativa do que por um efetivo movimento de contratações.

Além do aumento no tempo de permanência dos desempregados , o estudo mostra que os efeitos da crise econômica sobre o mercado de trabalho também vêm impactando a renda domiciliar. No primeiro trimestre deste ano, 22,7% dos domicílios brasileiros não possuíam nenhum tipo de renda proveniente do trabalho.

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Desde 2017, quando a resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) começou a valer, as empresas aéreas nacionais podem cobrar pelo despacho de bagagens.