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Segundo a Secretaria de Orçamento Federal, dos R$ 240 milhões que haviam sido autorizados para a pesquisa neste ano, R$ 210 milhões estão congelados

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Fernando Frazão/Agência Brasil
O IBGE já vinha alertando que teria dificuldades para realizar o Censo 2020, cujo orçamento inicial é de R$ 3,4 bilhões

O governo bloqueou 87% do orçamento previsto para a realização do Censo em 2019. A pesquisa populacional vai a campo ano que vem, mas os preparativos já ocorrem desde o ano passado. O percentual, divulgado em primeira mão pelo colunista do  Globo , Bernardo Mello Franco, consta em documento da Secretaria de Orçamento Federal.

No relatório, é possível verificar que, dos R$ 240 milhões que haviam sido autorizados para investimento na pesquisa este ano, R$ 210 milhões estão congelados. A nova presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Susana Cordeiro Guerra, vinha negando a existência do corte no Censo

Há dois anos a presidência do instituto vem alertando que teria dificuldades financeiras para realizar o Censo 2020, cujo orçamento inicial é de R$ 3,4 bilhões, para a contratação de 250 mil recenseadores temporários que visitarão, ano que vem, os quase 70 milhões de lares brasileiros.

Em fevereiro, durante a cerimônia de posse da nova presidente do instituto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, sugeriu pela primeira vez que o IBGE vendesse parte de seus prédios para viabilizar o Censo e também recomendou publicamente que a pesquisa fosse simplificada , com menos perguntas.

Pressionado pelo governo federal a cortar custos, o instituto anunciou, mês passado, que o orçamento do Censo será reduzido para R$ 2,3 bilhões porque a "diretriz do governo federal é de restrições orçamentárias". Em nota, o IBGE informou que "a operação está sendo revista, de modo a ter um custo cerca de 25% menor que a previsão inicial". O instituto garantiu que não haverá perda de informações.

O corte, no entanto, tem dividido opiniões dentro e fora da instituição. Na última segunda-feira (6), Susana exonerou o diretor de pesquisas do instituto, Cláudio Crespo . A informação também foi divulgada por Bernardo Mello Franco em seu blog.

Técnicos do IBGE que resistem ao corte dos questionários argumentam que, na pesquisa piloto realizada entre março e o início de abril em cinco mil domicílios de 53 cidades brasileiras, foi verificado que os custos estão concentrados na parte operacional, como ter de voltar às casas de pessoas que na primeira abordagem se recusam a responder o questionário, e não no tamanho do formulário.

Por isso, há resistência em relação ao corte dentro do corpo técnico. De acordo com uma fonte de participou de uma reunião para discutir o tamanho do questionário do Censo 2020 , em meados do mês passado, Cláudio Crespo seria um deles. A presidente do IBGE nega que a exoneração dele tenha sido motivada por essas divergências.