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Segundo Suzana Guerra, no momento, é preciso reforçar equipe na área de demografia; exoneração de Cláudio Crespo aconteceu na última segunda

Prédio IBGE
Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias
Segundo presidente, mudança na direção não aconteceu por conta do censo

Em meio a uma crise institucional, a presidente do IBGE, Susana Cordeiro Guerra, falou com exclusividade para o Jornal O Globo. Disse que a saída do diretor de Pesquisas , Cláudio Crespo, não foi exonerado por questões ligadas ao censo e que já vinha conversando com o sucessor, Eduardo Rios-Neto, demógrafo da UFMG. Disse ainda que, nas próximas semanas, as mudanças do censo serão divulgadas e há intenção de reduzir a amostra do censo.

No mês passado, o IBGE informou que, para fazer os custos do Censo 2020 caírem para R$ 2,3 bilhões e ter o orçamento aprovado pela União, pretende reduzir o número de perguntas da pesquisa. A ideia é que, desta forma, os recenseadores levem menos tempo para aplicar o questionário nos quase 70 milhões de lares brasileiros.

Por que Cláudio Crespo saiu?

"Eduardo Rios-Neto é um dos maiores e melhores demógrafos do Brasil . É uma pessoa que, não só vai trazer conhecimento técnico especializado na área de demografia que é fundamental para o projeto do censo, mas, como economista renomado, vai conseguir trazer uma visão mais ampla de todos os setores da diretoria de pesquisas".

O Claudio Crespo era contra a mudança do censo? Por isso ele não se alinhava?

"Claudio fez um trabalho de excelência à frente da DPE (Diretoria de Pesquisas), mas no momento é preciso reforçar a equipe na área de demografia. Nós precisamos alinhar o censo e otimizar o seu papel de medir a densidade populacional e o perfil da população brasileira. Eduardo Rios-Neto está numa excelente posição para executar esses objetivos e garantir um censo de qualidade, menos custoso e sem perda de informação".

A posição do Cláudio sobre o censo teria levado à saída dele?

"Não. Tenho conversado com Eduardo há dois meses. São conversas antigas. A decisão de formar a equipe é algo que vai além de questões censitárias. Vai de uma visão de longo prazo para o IBGE , que inclui o projeto do censo demográfico a curto prazo e planos futuros".

O governo falou de cortar o censo em 25%. Por que começar pelo questionário? O teste que foi feito do censo mostrou dificuldade de entrada nos domicílios, que para especialistas é maior problema do censo.

"Infelizmente, tem havido falha na nossa comunicação. Corte é fruto de uma sequência de ajustes na operação, incluindo métodos de coleta, supervisão e avaliação. Muitos deles visando à melhora na abordagem aos domicílios. O corte do questionário tem tido a maior visibilidade da imprensa, mas o seu objetivo vai além das questões orçamentárias. O corte no questionário visa acima de tudo a qualidade da operação. Em dois aspectos, na função principal do censo , que é garantir a cobertura da população brasileira, e a qualidade nas respostas. O ajuste no questionário é de extrema importância para execução de um censo de qualidade. Esse ajuste está sendo feito com extrema competência pela equipe técnica, visando à preservação das séries históricas e de informações fundamentais para os municípios".

O pesquisador Ricardo Paes de Barros já apresentou a proposta do corte?

"Ricardo Paes de Barros foi chamado para prestar um auxílio técnico à equipe. Ele não apresentou uma proposta fechada, mas uma metodologia de priorização de temas dentro do questionário, que foi extremamente bem recebida pela equipe e tem fornecido material para os debates dentro da casa. Esse foi um trabalho pro bono. Ele prestou um serviço imenso".

A equipe do Censo será mantida?

"A equipe será mantida, mas cabe o diretor de pesquisa fazer os ajustes que achar necessários na sua equipe", finaliza.