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Lucas Rocha Furtado afirma que a retirada do comercial do ar, além do prejuízo causado pelo gasto com a peça, pode prejudicar a imagem do BB

Agência Banco do Brasil
Divulgação Banco do Brasil
Procurador acredita que a imagem do BB foi afetada após veto de Bolsonaro


O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União ( TCU), Lucas Rocha Furtado, pediu que a Corte apure se houve prejuízos ao Banco do Brasil após o Palácio do Planalto determinar que o BB retirasse de circulação uma campanha publicitária do banco. 

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O presidente Jair Bolsonaro  defendeu o veto à propaganda do BB que aparece com jovens brancos, negros, com cabelos pintados e tatuagens que estava no ar há quase um mês; tratava-se de uma estratégia para atrair clientes mais jovens. Depois que o presidente  disse que não gostou , o comercial saiu do ar e o diretor de marketing do banco foi demitido.

Na representação encaminhada ao TCU , o procurador afirma que é necessário apurar se os atos do Planalto no Banco do Brasil podem acarretar em prejuízos materiais ao banco e à imagem da estatal no mercado e aos acionistas.

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Segundo Furtado, a decisão do presidente de retirar a propaganda do ar pode acarretar em dois tipos de danos à União: o primeiro sobre os gastos com a peça publicitária, que foi tirada do ar, e o segundo, de que o banco pode ter deixado de atingir o público alvo da propaganda, por estar ausente na disputa comercial.

O segundo, de maior envergadura segundo o MP, está inserido no campo da política institucional da entidade, que poderia ter sido prejudicada na estratégia mercadológica de buscar, por meio da referida publicidade, captar maior clientela a reforçar a atividade primordial do banco, no caso a aplicação do varejo bancário, em face da concorrência. No ofício, o procurador afirma que é preciso averiguar se houve "ingerência destituída de critérios técnicos". Segundo ele, há indicativo de ato de gestão ilegítimo e antieconômico, que pode ter gerado "efetivo dano ao erário a ser recomposto".

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“Ou seja, ao deixar de atingir o público alvo da propaganda, a estatal financeira poderá ter deixado de captar número substancial de novas contas bancárias por estar ausente da disputa comercial – ao menos no nível de marketing – do público que se pretendia atingir com a propaganda abruptamente descontinuada”, escreveu Furtado.

Para o representante do MP junto ao TCU, “não há nenhuma justificativa técnica para que a União tenha vetado o comercial do BB que já se encontrava em divulgação. Ao contrário, a motivação é puramente ideológica”.