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O fim da multa de 40% do FGTS nas demissões de aposentados que seguem trabalhando, por exemplo, é um dos tópicos que devem sair da proposta

rogério marinho
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
As concessões a serem feitas foram negociadas pelo secretário Especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho

O governo bateu o martelo em quatro pontos da reforma da Previdência que serão alterados na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (23). Uma das concessões se refere ao fim da multa de 40% do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) nas demissões sem justa causa de aposentados que continuam trabalhando, que deverá ser retirado do texto.

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Além disso, o Executivo também vai recuar da proposta que acabava com a possibilidade de as pessoas entrarem com causas contra a União na Justiça Federal do Distrito Federal, restringindo a propositura dessas ações aos estados de domicílio do interessado.

Outra alteração na reforma da Previdência diz respeito à prerrogativa exclusiva do Executivo em propor novas mudanças nas regras de aposentadoria, abrindo espaço para que o Congresso Nacional também possa tomar esse tipo de iniciativa.

Também será retirado do texto o trecho que joga para uma lei complementar (mais fácil de ser aprovada) a definição da idade máxima para aposentadoria compulsória dos servidores públicos. Essa idade é, hoje, de 75 anos, o que permitiu que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outros tribunais ficassem mais tempo no cargo.

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Segundo técnicos a par das discussões, apesar da pressão dos parlamentares, o governo não abrirá mão da retirada dos parâmetros da aposentadoria da Constituição na CCJ – a chamada desconstitucionalização . Mas sinalizou aos líderes do centrão que essa questão poderá ser discutida no segunda etapa da tramitação da reforma, na comissão especial, que será criada nas próximas semanas para discutir o mérito da reforma.

Defesa

jair bolsonaro
Marivaldo Oliveira/Agência O Globo
O governo argumenta que não está retirando direitos dos trabalhadores da Constituição, apenas mudando os números

Nas palavras de uma fonte, o governo não está retirando direitos dos trabalhadores da Constituição , apenas mudando os números, como tempo de contribuição, idade mínima e regra de cálculo do valor do benefício. A ideia é que esses pontos possam ser definidos futuramente por projeto de lei complementar. O argumento é que nenhum país traz esses detalhes nas suas constituições.

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Um dos pontos da desconstitucionalização que pode cair na comissão especial é a retirada do texto da Constituição da obrigatoriedade de a União conceder reajustes reais para os benefícios, na avaliação de técnicos envolvidos nas discussões.

As concessões a serem feitas na reforma logo na largada da tramitação no Congresso foram negociadas pelo secretário Especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho , com líderes dos partidos e com o relator da proposta da CCJ, deputado Marcelo Freitas (PSL). Freitas fará as mudanças no seu parecer na forma de complemento de voto, já que na semana retrasada ele havia votado a favor da admissibilidade integral de proposta do governo.

Diante das dificuldades políticas em destravar a reforma na CCJ, porém, o governo foi obrigado a ceder. Não é comum as propostas do Executivo serem alteradas nessa comissão, que tem a finalidade apenas de decidir se a reforma está de acordo com a Constituição, uma espécie de passaporte para as etapas seguintes no Congresso.

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Fontes do governo estão otimistas que o novo parecer será aprovado nesta terça. Pelo regimento, não há espaço para pedido de vista.