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Presidente aproveitou para atacar a ex-presidenta Dilma Rousseff ao dizer que "quem entendia [de economia] afundou o Brasil", relembrando recessão

Bolsonaro agradece aos céus
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 1.1.19
Bolsonaro disse que não entende de economia após intervir no preço do diesel

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) negou ser intervencionista e querer adotar "as políticas que fizeram no passado" após ter ligado para o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, pedindo explicações sobre a  proposta de reajuste de 5,7% ao preço do diesel nas refinarias, que ocorreria nesta sexta-feira (12) e foi cancelada. "Não sou economista, já falei que não entendia de economia", relembrou.

Conforme confirmado pelo vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) em entrevista à radio CBN , o cancelamento do ajuste partiu, de fato, da intervenção de Bolsonaro , a qual Mourão caracterizou como "pontual". O presidente aproveitou a oportunidade para alfinetar a ex-presidenta Dilma Rousseff, economista, ao dizer que "quem entendia [de economia] afundou o Brasil". A declaração foi feita na inauguração do novo aeroporto da capital Macapá, em sua primeira visita ao Amapá.

"Estou preocupado também com o transporte de cargas no Brasil, com os caminhoneiros . São pessoas que realmente movimentam as riquezas, de norte a sul, leste a oeste e que tem que ser tratados com devido carinho e consideração. Nós queremos um preço justo para o óleo diesel ", defendeu o presidente, que disse ter convocado funcionários da estatal para reunião na próxima terça-feira (16) para esclarecer a política de preços adotada.

Mourão disse que tem "absoluta certeza de que ele não vai praticar a mesma política da ex-presidente Dilma Rousseff no tocante à intervenção do preço do combustível e da energia", e avaliou que "toda decisão tem fatores positivos e negativos".

Desde o último mês, integrantes do governo federal tem feito tentativas de agradar os caminhoneiros, na esperança de reduzir as possibilidades de uma nova greve da categoria. Mourão não confirmou, e disse que "já faz algum tempo que esses dados [de possível greve de caminheiros] vem chegando. Mas são dados, não há uma confirmação. Então temos que tratar com cuidado, e eu acho que foi essa a visão do presidente e de quem o assessorou nessa decisão", explicou.

Em março, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, chegou a dizer que Bolsonaro tem um  "amor muito grande" pelos caminhoneiros . Dias antes, Bolsonaro anunciou a criação de um  cartão caminhoneiro , que vai garantir a compra de diesel e outros combustíveis sem variação contínua de preço, e ainda prometeu outras medidas em breve para a categoria.

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Perguntado sobre a possível contradição entre a intervenção na estatal e a autointitulação do governo como liberal, Mourão respondeu que "em tese é [uma contradição]. Agora como eu respondi os fatos que chegaram ao conhecimento do presidente não são do meu domínio portanto eu acredito no bom senso dele e que tomou essa decisão buscando o bem maior."

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