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Em Washington, nos EUA, o ministro revelou que o governo deve apresentar uma proposta de unificar "três ou quatro impostos" já nos próximos meses

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Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Paulo Guedes confirmou que o governo deve apresentar um projeto de reforma tributária nos próximos quatro meses

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira (11) que o governo pretende fazer uma reforma tributária apenas no nível federal. Segundo Guedes, nos próximos quatro meses será anunciada a proposta de unificar três ou quatro impostos, criando um imposto federal, tendo citado a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), o PIS e o Finsocial.

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"Ao longo do tempo, vamos colocar mais impostos lá", explicou o ministro durante um evento em Washington (EUA). "Nós vamos dar o exemplo para estados e municípios, mas vamos deixá-los tributar. E eles vão aprovar essa reforma tributária , essa simplificação dos tributos federais, pela perspectiva de ter mais recursos no futuro", completou.

Segundo Guedes, é uma reforma diferente da proposta do economista Bernard Appy, “que tenta colocar tudo junto”. Diretor do Centro de Cidadania Fiscal, Appy propõe a criação de um Imposto de Bens e Serviços, o IVA (Imposto sobre Valor Agregado), que reuniria PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS – sendo que os dois últimos são tributos dos governos locais.

O ministro da Economia ainda afirmou que há um longo histórico de fracasso na reforma tributária no Congresso porque as pessoas tentavam colocar todos os impostos juntos. "Há uma resistência natural de estados e municípios para convergir para um sistema de impostos geral, porque eles já têm problemas de caixa", avaliou.

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Guedes também lembrou que, na ditadura militar, o poder financeiro foi concentrado no topo e os governos civis não o desconcentraram. "Até criaram mais tributos para não serem distribuídos para governadores e prefeitos", contou o ministro.

Reforma da Previdência

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Alan Santos/Presidência da República
Durante evento em Washington, o ministro aproveitou para dizer que a reforma da Previdência conta com apoio popular

No evento, o ministro aproveitou para dizer que a reforma da Previdência conta com apoio popular. Guedes destacou que controlar gastos é a grande prioridade do governo de Jair Bolsonaro (PSL), ressaltando que a estratégia passa pela reforma, pela aceleração das privatizações e das vendas de imóveis do governo e pela contenção de despesas com salários do funcionalismo.

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O economista também garantiu que, apesar de suas posições anteriores, o presidente compreende a necessidade da reforma na atualidade e dá seu apoio. "Bolsonaro está pronto para apoiar algo que ele não gostaria, mas entende como necessário. Está fazendo a sua parte. Ele não vai dizer: 'eu adoro esta reforma'. Não, ao contrário, ele brinca e diz: 'escutem, por mim, as mulheres poderiam se aposentar aos 20 anos'. É como ele se sente", acrescentou.

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