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Em encontro com centros de estudos da Brookings Institution, nos EUA, o ministro exaltou o apoio dos brasileiros à nova Previdência, embora pesquisa Datafolha mostre que a maioria é contra a reforma proposta pelo governo

Paulo Guedes, ministro da Economia
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Paulo Guedes afirmou em Washington que manifestantes no País gritavam seu nome em apoio à nova Previdência

O ministro da Economia, Paulo Guedes, relatou a uma plateia de integrantes de centros de estudos econômicos na Brookings Institution, em Washington, que a reforma da Previdência proposta pelo governo Jair Bolsonaro tem apoio popular, citando manifestantes que "gritavam seu nome" no Brasil no último fim de semana.

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"Achei que teria muita oposição, mas fui aplaudido nas mídias sociais e nas ruas, se tornou uma coisa popular no Brasil. Manifestações no Brasil no fim de semana gritavam meu nome", contou o ministro na capital norte-americana. "Reforma da Previdência é coisa de outra planeta ou um sinal de maturidade", afirmou Guedes .

Guedes disse esperar que a aprovação da reforma da Previdência ocorra antes do fim do primeiro semestre, sem detalhar se referia-se à Câmara dos Deputados ou ao Senado. Há, inclusive, desencontro entre a fala do ministro e a do líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), que afirmou hoje que crê que as votações nos plenários da Câmara e do Senado fiquem para o segundo semestre deste ano.

O apoio de Bolsonaro à reforma, avaliado nos EUA como tímido, motivou questionamentos a Guedes, que respondeu que “Bolsonaro votou várias vezes contra reforma da Previdência”, mas já teria admitido que “estava errado" e que hoje entende a importância da proposta para o País.

Segundo o ministro, o governo trabalha em três principais frentes do ponto de vista econômico, que são: controle de gastos, acelerar privatizações e conter salários do funcionalismo.

"Nós temos a dinâmica de uma sociedade aberta, uma democracia vibrante. A redemocratização não conseguiu privatizar, descentralizar e focar capital humano. Tivemos duas hiperinflações, administramos mal a transição. Quando o Executivo tentou comprar o Legislativo, acordamos o Judiciário" disse, ressaltando que não haverá nenhuma ameaça à democracia.

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Em relação aos servidores públicos, Guedes voltou a afirmar que “40% a 50% vão se aposentar nos próximos anos, e não vamos substituí-los”. No mês passado, o ministro disse que o governo não pretende realizar concursos públicos nos próximos anos, apesar da previsão de que muitos servidores vão poder se aposentar.

"Vamos simplificar e digitalizar, sem substituir servidores aposentados. Com controles digitais, o que era complicado será mais simples", disse o ministro sobre a modernização da economia e dos serviços públicos no Brasil.

Questionado sobre a reforma tributária, o ministro reforçou a proposta de criar um imposto único federal. "Vamos simplificar quatro, cinco, seis impostos em um só", disse. Ele disse ainda que “economicamente, estamos num transição incompleta”, defendendo que "Não é razoável que a oitava economia do mundo seja a 126ª em facilidade de fazer negócios. A nossa meta é sair de 126º para menos de 50º lugar no ranking de fazer negócios no mundo até o fim do governo. O programa é muito simples, eu adoraria o que Thatcher e Reagan fizeram. Nós estamos abrindo a economia, uma economia liderada pelo mercado. Vamos reduzir o peso do crédito público na economia", anunciou Guedes.

De acordo com a fala do ministro, os períodos de hiperinflação foram uma “manifestação do excesso de gastos da ditadura”: "Na democracia, controlaram os preços, como faz a Venezuela. O aumento de gastos está nos bastidores. Faltou coordenação entre políticas fiscal e monetária", disse.

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Sobre o corte de gastos proposto pelo governo e apresentado como prioridade, Guedes afirmou que "Temos mais de R$ 1 trilhão em empresas públicas. Temos grande valor em imóveis caros, como embaixada brasileira em Washington. Temos uma embaixada linda em Roma, na Praça Navona", enumerou, acrescentando que não pretende “abrir a economia linearmente”.