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Número equivale a 16 milhões das 72 milhões de residências existentes no País e é, também, o maior registrado nos últimos seis anos; confira os dados

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Entre 2017 e 2018, o número de residências brasileiras sem renda vinda do trabalho subiu 0,7 ponto percentual, atingindo 16 milhões de casas


O número de domicílios brasileiros que estão sem renda proveniente de trabalho aumentou no final de 2018, de acordo com dados da seção Mercado de Trabalho da Carta de Conjuntura, divulgados nesta quarta-feira (20) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). 

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Segundo a pesquisa, no quarto trimestre de 2018, 22,2% das casas não possuíam nenhum tipo de remuneração vinda do trabalho. O valor é equivalente a 16 milhões das 72 milhões de residências existentes no País sem renda .

Esse é o maior número para o período em seis anos. Na comparação com o quarto trimestre de 2017, quando o número de domicílios sem fonte de renda era 21,5%, a alta foi de 0,7 ponto percentual (p.p). 

O valor também é superior ao mesmo período de 2013, logo antes do início da recessão econômica, quando o índice atingia 18,6% das casas brasileiras. Confira:

Número de domicílios sem renda do trabalho:

  • 2013 - 18,6%
  • 2015 - 19,9%
  • 2017 - 21,5%
  • 2018 - 22,2%

“Essas famílias até podem possuir outra renda, como aposentadoria ou proveniente de programas sociais, mas nenhuma fruto do trabalho ”, explica Maria Andréia Lameiras, pesquisadora do Grupo de Conjuntura do Ipea e coautora do estudo.

Baseado nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, e no Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, a pesquisa do Ipea aponta que esse fenômeno se deve a lenta recuperação da economia, que ainda mantém o nível de desemprego elevado e uma melhora também lenta do mercado de trabalho.

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O estudo mede, ainda, a proporção de residências que possuem renda muito baixa ; baixa; média baixa; média; média alta e alta. Ao número de casas com renda muito baixa, por exemplo, também subiu entre 2017 e 2018, de 29,8% para 30,1%, respectivamente. 

      Faixa de Renda

2013  

2015

2017

2018

Sem renda

18,6% 19,9% 21,5% 22,2%

Renda muito baixa

27,5% 28,4% 29,8% 30,1%

Renda baixa

14,2% 15% 12,1% 11,4%

Renda média baixa

17,3% 16% 16,5% 17,7%

Renda média

14,6% 13,6% 13,2% 12,3%

Renda média alta

5,5% 5% 4,9% 4,5%

Renda alta 

2,2% 2,3% 2% 2,1%


A desigualdade salarial entre os domicílos também aumentou. Segundo o Ipea , em 2018, o valor dos salários dos mais ricos cresceu três vezes mais do que o dos mais pobres: enquanto a renda média domicilar dos pobres variou 0,84%, a dos mais ricos cresceu 2,6%.

Jovens tem menos oportunidades

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Jovens entre 18 e 24 anos são menos contrados e mais demitidos, segundo estudo do Ipea, que também mediu número de casas sem renda vinda de trabalho


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Além da quantidade de casas sem renda , o Ipea também colheu dados sobre o desemprego. Segundo o estudo, a população mais jovem, entre 18 e 24 anos, tem menos chances de ser contratada e mais chances de ser demitida. Em janeiro deste ano, o número de jovens dessa faixa-etária ocupados diminuiu 1,3%