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Para o presidente da Câmara, governo precisa parar de "criminalizar" a política e construir uma aliança para conseguir aprovar a reforma enviada

Flickr/Palácio do Planalto
"A questão é construir uma aliança [para conseguir aprovar a reforma da Previdência]", opinou Rodrigo Maia (DEM)

Para o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), um dos obstáculos para o presidente Jair Bolsonaro (PSL) conseguir aprovar a reforma da Previdência é seu discurso "antipolítica". Na visão do parlamentar, se a votação do projeto acontecesse hoje na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o governo perderia.

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“O problema é que o presidente está refém do discurso dele de campanha. A questão é construir uma aliança. A gente não pode menosprezar a política, criminalizar a política em todos os momentos”, opinou Maia. A declaração foi feita nesta terça-feira (26), em São Paulo, durante a 20º CEO Brasil 2019 Conference, organizada pelo banco BTG Pactual.

O presidente da Câmara ainda acrescentou que os parlamentares estarão prontos para votar a reforma da Previdência até a primeira quinzena de julho, o que dará tempo ao governo para negociar. Antes disso, para Maia, pode ser arriscado para o projeto. “Se a gente sabe que é um processo de construção porque ter pressa em instalar a comissão? Vamos dar tempo ao tempo. Talvez a pressa possa derrotar a reforma", disse.

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O deputado também declaro que, por ora, é impossível saber quantos votos Bolsonaro teria a favor da reforma, uma vez que sua base aliada ainda está em formação. Na visão de Maia, a articulação do governo precisa melhorar, e que mesmo que o DEM, seu partido, apoie a nova Previdência, seria necessário "convencer" mais 10 ou 12 siglas para viabilizar a aprovação do projeto.

Críticas à comunicação

“A comunicação do governo precisa ser mais ágil. Eu vejo com muita preocupação esse erro
Tânia Rêgo/Agência Brasil
“A comunicação do governo precisa ser mais ágil. Eu vejo com muita preocupação esse erro", disse o parlamentar

Durante o evento, Rodrigo Maia ainda criticou a comunicação do governo sobre a reforma, considerada lenta pelo parlamentar. “A comunicação precisa ser mais ágil. As redes sociais são muito rápidas. A contaminação é quase que instantânea. Eu vejo com muita preocupação esse erro [...], não ter preparado as redes com essa guerrilha”, afirmou.

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Para o deputado, essa lentidão pode fazer com que o governo perca o controle da narrativa e seja atingido pela mesma onda de rejeição que impediu Michel Temer (MDB) de aprovar uma reforma da Previdência . “Se o governo não for rápido, a gente acaba contaminando [a proposta] como acabou contaminada a reforma do Michel Temer. Nós temos a melhor estrutura de comunicação de WhatsApp e não pode perder a oportunidade de utilizá-la”, opinou.