Tamanho do texto

Além do PIB, a taxa de desemprego, a Selic e a dívida pública também seriam afetadas negativamente pela rejeição às mudanças nas aposentadorias

Sem a aprovação da reforma da Previdência, segundo o governo, o crescimento do PIB em 2019 seria inferior a 1%
Valter Campanato/Agência Brasil
Sem a aprovação da reforma da Previdência, segundo o governo, o crescimento do PIB em 2019 seria inferior a 1%

O Brasil entraria em recessão já no segundo semestre de 2020 se a reforma da Previdência não for aprovada. O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2019, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro (PSL), seria inferior a 1%, chegando a -1,8% em 2023. O diagnóstico foi feito pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia e divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo .

Leia também: Servidores com altos salários protestam contra alíquota da nova Previdência

O relatório com perspectivas dramáticas para o País foi elaborado para mostrar a importância da aprovação do projeto enviado na última quarta-feira (20) ao Congresso Nacional. Segundo o documento, se nenhuma reforma for feita nos próximos cinco anos, o crescimento do PIB tende a ser, em média, 2,9 pontos percentuais menor do que seria em um cenário com mudanças no sistema previdenciários. A recessão  viria logo em 2020.

Em contrapartida, se a reforma da Previdência passar pelo Congresso, a expectativa de crescimento para o PIB salta para 2,9% já neste ano. A diferença entre os dois cenários é justificada pela iminente deterioração das atividades econômicas causada pela manutenção do atual regime previdenciário.

Para a SPE, o descontrole das contas públicas é o principal responsável pela crise econômica que o País vem enfrentando, e o aumento dos gastos do governo com benefícios previdenciários explica esse estrado. Sem reformas estruturais, de acordo com a Secretaria, haverá cada vez menos espaço no Orçamento para a manutenção de despesas essenciais, como educação e saúde, por exemplo, e a dívida pública vai disparar.

Emprego e renda

Além de causar uma recessão, a não aprovação da reforma da Previdência poderia aumentar a taxa de desemprego
Divulgação
Além de causar uma recessão, a não aprovação da reforma da Previdência poderia aumentar a taxa de desemprego

A recessão não seria o único problema trazido pela rejeição da reforma da Previdência. Segundo a equipe econômica do governo, a taxa de desemprego poderia voltar a bater recordes, chegando a 15,1% em 2023 caso as regras para aposentadoria e pensão no País continuem as mesmas.

Leia também: Desemprego atinge maior nível dos últimos anos em metade das capitais do País

Por outro lado, segundo a SPE, a aprovação da reforma poderia fazer esse índice cair para 8%. Isso porque as mudanças propostas poderiam viabilizar, de acordo com cálculos do governo, a criação de quase 8 milhões de empregos até 2023, uma média de 1,33 milhão de novas vagas por ano.

Sem a reforma da Previdência , a renda per capita no Brasil também seria afetada. Neste cenário, cada brasileiro chegaria em 2023 R$ 5,8 mil mais pobre do que com as mudanças aprovadas. E esse prejuízo tende a ficar ainda maior com o passar do tempo. "Quanto mais a reforma da Previdência fosse postergada, maior seria o custo para a população brasileira", avalia o documento.

Selic e dívida pública

Com a rejeição da reforma da Previdência, a Selic dispararia nos próximos anos, chegando a 18,5% ao ano em 2023
Reprodução/Pixabay
Com a rejeição da reforma da Previdência, a Selic dispararia nos próximos anos, chegando a 18,5% ao ano em 2023

Com a rejeição da reforma da Previdência, ainda segundo a SPE, a Selic dispararia nos próximos anos, chegando a 18,5% ao ano em 2023. Com a reforma, em contrapartida, a taxa básica de juros da economia brasileira poderia cair para 5,6% ao ano daqui a cinco anos. Hoje, a Selic está em 6,5% ao ano, o menor nível já registrado.

Leia também: Entenda o cálculo e regras de transição propostas para a nova Previdência

Para a dívida bruta do governo, o cenário sem reforma da Previdência seria catastrófico, com trajetória de crescimento explosiva. Os indicadores fiscais piorariam consideravelmente, trazendo resultados primários em permanente déficita. Com as mudanças propostas para o sistema de aposentadorias, porém, a dívida começaria a declinar a partir de 2021.