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Presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou que o banco público vai se aproximar ainda mais da população durante sua gestão

O novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou que o banco estatal deve entrar no setor de microcrédito, empréstimos de baixo valor para a população de baixa renda. De acordo com o presidente da instituição financeira, é preciso deixar de lado operações com grandes empresas e focar nos clientes menores.

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Caixa vai priorizar clientes de baixa renda e crédito imobiliário
Arquivo/Agência Brasil
Caixa vai priorizar clientes de baixa renda e crédito imobiliário

Pedro Guimarães, presidente da Caixa , anunciou que vai visitar pessoalmente todos os estados para ouvir as demandas das comunidades mais carentes. A viagem pelo Brasil começa por Roraima. Ele disse ainda que vai utilizar os finais de semana para fazer essas visitas.

"O primeiro estado que vamos é Roraima. O segundo é Amazonas. Eu aprendi que existe Caixa-barco, são dois barcos fundamentais para cidadania. Dentro (das comunidades), pessoas que não tem quase o que comer. Se não tiver esse Caixa-barco, ele está isolado da sociedade. Então, por que só dois barcos? Enquanto você investiu centenas de milhões de reais com clubes de futebol. O objetivo é ouvir da rede o que está acontecendo e falar. Vamos olhar, entender a comunidade", indagou.

"A Caixa vai voltar para a (favela) Rocinha. O Santander tem agências lá. Vamos colocar luzes e vamos voltar para lá", disse.

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Para ele, é necessário prestar atenção nos correntistas menores. "Por que a Caixa, com 93 milhões de clientes, que não consegue financiar microcrédito e não tem operação relevante de consignado, tem que emprestar para uma empresa gigante? Não vejo nenhum sentido. O meu objetivo é que nós tenhamos 20 milhões de cartões consignados em quatro anos”, afirmou Pedro Guimarães

De acordo com Guimarães, o banco não deve fazer parcerias com outras instituições grandes, já que elas podem conseguir apoio a partir de outros meios. “Até que ponto a Caixa Econômica Federal tem que ter mais de R$ 100 bilhões em empréstimos a grandes empresas, que podem tranquilamente tomar esses recursos no mercado interno e no mercado externo?", disse.

O novo presidente da instituição financeira também criticou a atuação da Caixa durante os governos petistas, quando empresas como a Petrobras receberam empréstimos. Guimarães acrescentou que pretende expandir a oferta de microcrédito em taxas mais baixas do que as praticadas atualmente. “Não me conformo em ver pessoas tomando dinheiro a 15%, 20% ao mês”, afirmou.  “O Brasil pode ser uma referência em microcrédito.” 

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O banqueiro lembrou da amizade pessoal com o novo presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, para dizer que os bancos vão atuar em conjunto e buscarão reduzir custos por meio de parcerias em compras e no desenvolvimento tecnológico. 

"A Caixa terá forte atuação no crédito imobiliário e o BB no agrícola. Não sei se já houve um alinhamento de ideias tão grande entre os bancos antes. Não haverá uma competição deletéria entre Caixa e BB, e sim uma atuação complementar", afirmou.

No último mês, o ministro Paulo Guedes disse que a Caixa andou com problemas. "Teve gente que foi parar em Curitiba [...]. A corrupção sistêmica é intolerável e inaceitável. Uma coisa é errar um investimento. Acontece e às vezes o banco não tem o retorno esperado. Outra coisa, totalmente diferente, é não existir nem um projeto. O que existe é o acerto e a busca de um recurso na instituição pública", disse lembrando os anos de desmando do PT."

O novo presidente da Caixa

Pedro Guimarães, presidente da Caixa
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Pedro Guimarães, presidente da Caixa

Pedro Guimarães foi indicado por Paulo Guedes para comandar a Caixa. Ele é sócio do banco de investimentos Brasil Plural e especialista em processos de privatizações. O presidente da estatal acompanhou, por exemplo, a privatização do Banespa, antigo banco estadual de São Paulo. 

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Guimarães em 20 anos de experiência no mercado financeiro e é doutor em economia pela Universidade de Rochester, nos Estados Unidos. Em sua tese, o novo presidente da  Caixa Econômica Federal discutiu o processo de privatização no Brasil.

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