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Companhia tem 60 dias para apresentar plano de reestruturação da dívida e de pagamento aos credores; entenda a crise do setor editorial brasileiro

A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo aceitou o pedido de recuperação juidicial da Saraiva
Divulgação
A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo aceitou o pedido de recuperação juidicial da Saraiva

A Justiça aceitou o  pedido de recuperação judicial da Saraiva, maior rede de livrarias do País. A empresa entrou com o pedido na sexta-feira passada (23), depois de não conseguir renegociar suas dívidas, que somam cerca de R$ 675 milhões.

A decisão foi proferida nesta segunda-feira (26) pelo juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. "Para que os credores não destruam o valor da organização empresarial", além de aceitar a recuperação judicial , 180 ações e execuções contra a Saraiva foram suspensas.

A companhia tem, a partir da decisão, 60 dias para apresentar seu plano de reestuturação da dívida e de pagamento aos credores. O escritório Lucon Advogados foi nomeado como administrador judicial e o juiz fixou em R$ 100 mil a remuneração mensal da administradora.

Fundada há 104 anos e com um comércio eletrônico relevante, a Saraiva ainda mantém 85 lojas em 17 estados do País. Em comunicado enviado ao mercado, a rede de livrarias afirmou que o pedido de recuperação judicial "não altera, de forma alguma, o funcionamento do varejo", e que tem tomado diversas medidas para readequar seu negócio ao que chamou de "uma nova realidade".

No final de outubro, a  Saraiva já havia decidido fechar 20 lojas espalhadas pelo Brasil . Na época, a empresa afirmou que a decisão foi motivada pelos "desafios econômicos e operacionais do mercado", além dos indicadores "que retratam uma mudança na dinâmica do varejo ". Cerca de 700 funcionários foram demitidos no episódio.

O prejuízo da Saraiva no segundo trimestre deste ano foi de R$ R$ 37,6 milhões. O valor mais que dobrou em um ano, tendo em vista que no mesmo período de 2017 o prejuízo foi de R$ 16,6 milhões.

Além disso, a receita líquida da companhia no período que compreende os meses de abril, maio e junho deste ano somou R$ 364,5 milhões, queda de 1,6% em relação ao ano anterior. Nas lojas físicas, a receita caiu 4,1% no período e atingiu R$ 227,9 milhões, enquanto o e-commerce chegou a R$ 136,5 milhões, registrando crescimento de 2,9%.

Em 2018, entre janeiro e setembro, o prejuízo líquido é de R$ 103 milhões, mais que o dobro na comparação com o resultado negativo de 2017, que foi de cerca de R$ 50 milhões.

Crise no setor

Livraria cultura também entrou com pedido de recuperação judicial
Reprodução/Facebook
Livraria cultura também entrou com pedido de recuperação judicial

O mercado editorial brasileiro vive umas das piores crises de sua história. Em 24 de outubro, a Livraria Cultura , uma das mais tradicionais do setor, também entrou com um pedido de recuperação judicial . Em nota, a empresa justificou a decisão pelo cenário econômico nacional adverso e pela crise no setor, que, segundo a companhia, encolheu 40% desde 2014.

"Infelizmente, após quatro anos de recessão, o cenário geral no País não apresenta sinais claros de melhoria", escreveu a empresa. "Com essa medida, visamos normalizar compromissos firmados com nossos fornecedores, preservando a saúde da empresa, a manutenção de empregos e gerando mais estímulo para crescer".

A Livraria Cultura, empresa criada por Eva Herz em 1947, acumula dívida de cerca de R$ 285,4 milhões, a maior parte com fornecedores e bancos.

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Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os pedidos de recuperação judicial são consequência do resultado do segmento de livros, jornais, revistas e papelaria, a atividade com o pior desempenho do varejo brasileiro em 2018. No ano, o setor comercial acumula alta de 2,3%, enquanto o segmento de editorial impresso tem queda de 10,1%.

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