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O governo fluminense tem R$ 39,32 bilhões em operações de crédito que podem ser cobertas pelo Tesouro caso o estado não pague os financiamentos

Sozinho, o Rio de Janeiro detém a maior parte do saldo devedor garantido pelo Tesouro, 14,5%. Em seguida vêm São Paulo, com R$ 33,52 bilhões (12,4%)
Ricardo Stuckert/Fotos Públicas
Sozinho, o Rio de Janeiro detém a maior parte do saldo devedor garantido pelo Tesouro, 14,5%. Em seguida vêm São Paulo, com R$ 33,52 bilhões (12,4%)

Em processo de recuperação fiscal, o estado do Rio de Janeiro é a unidade federativa com maior saldo devedor garantido pela União. Segundo relatório divulgado hoje (25), o governo fluminense tem R$ 39,32 bilhões em operações de crédito garantidas pelo governo federal, que podem ser cobertas pelo Tesouro Nacional caso o estado não pague os financiamentos.

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De acordo com o relatório de operações de crédito garantidas do segundo quadrimestre, o saldo devedor total das garantias concedidas a operações de crédito para o Rio de Janeiro é de R$ 270,38 bilhões.

As garantias representam os ativos oferecidos pelo Tesouro para cobrir eventuais calotes em dos estados e dos municípios com bancos nacionais ou instituições estrangeiras, como o Banco Mundial, por exemplo. O Tesouro compensa os calotes, mas desconta o valor coberto com bloqueios dos repasses dos fundos de Participação dos Estados e Municípios.

Sozinho, o Rio de Janeiro detém a maior parte do saldo devedor garantido pelo Tesouro, 14,5%. Em seguida vêm São Paulo , com R$ 33,52 bilhões (12,4%); Minas Gerais, com R$ 24,93 bilhões (9,2%); Bahia, com R$ 13,93 bilhões (5,2%); Santa Catarina, com R$ 10,72 bilhões (4%); Rio Grande do Sul, com R$ 10,52 bilhões (3,9%); Ceará, com R$ 10,22 bilhões(3,8%); e demais estados, com R$ 64,98 bilhões (24%).

As garantias são concedidas pela União aos entes federados e também às entidades da administração indireta das três esferas de governo. De acordo com o Tesouro, os estados concentram a maior parte (77%) dessas operações garantidas, com saldo devedor de R$ 208,19 bilhões.

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Logo em seguida aparecem os bancos e os municípios, com 8,2% (R$ 22,07 bilhões) e 6,6% (R$ 17,75 bilhões), respectivamente, do saldo devedor. As estatais federais detêm 5,4% (R$ 14,53 bilhões) e as entidades controladas, 2,9% (R$ 7,84 bilhões).

Do total de recursos garantidos, as operações internas apresentam saldo de R$ 117,28 bilhões e as externas, de R$ 153,10 bilhões.

Em outros estados

Do total de dívidas em atraso de estados pagas pela União em 2018, R$ 2,175 bilhões cabem ao Rio de Janeiro e R$ 553,15 milhões a Minas Gerais, onde está localizada a cidade de Ouro Preto (foto)
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Do total de dívidas em atraso de estados pagas pela União em 2018, R$ 2,175 bilhões cabem ao Rio de Janeiro e R$ 553,15 milhões a Minas Gerais, onde está localizada a cidade de Ouro Preto (foto)

De acordo com o relatório mensal de garantias honradas, a União já pagou R$ 2,825 bilhões de dívidas em atraso de estados e municípios em 2018. Desse valor, R$ 2,175 bilhões cabem ao estado do Rio; R$ 553,15 milhões a Minas Gerais; R$ 55,49 milhões ao Piauí; R$ 30,41 milhões a Roraima e R$ 10,94 milhões à prefeitura de Natal, capital do Rio Grande do Norte.

Em 2017, a União honrou dívidas referentes a contratos de responsabilidade de estados e municípios no montante de R$ 4,06 bilhões.

Além de as garantias serem descontadas dos repasses da União, os estados e municípios ficam impedidos de contrair financiamentos garantidos pelo Tesouro. Nesse caso, o estado de Minas Gerais está impedido até 8 de agosto de 2019, assim como Roraima; Piauí até 23 de julho de 2019; e a prefeitura de Natal até 23 de maio de 2019.

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Apenas o  Rio de Janeiro , por estar em regime de recuperação fiscal, poderá contratar novas operações de crédito com garantia da União voltadas, entre outros, para o financiamento de programa de desligamento voluntário de pessoal, auditoria da folha de pagamento de ativos e inativos, reestruturação de dívidas com o sistema financeiro e modernização da administração fazendária.


*Com informações da Agência Brasil

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