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A BRF, fornecedora da Coreia do Sul, continuará a entrega de carne de frango ao país. Governo brasileiro terá de dar explicações aos países importadores

Para Blairo Maggi, ministro da Agricultura, restrição da carne brasileira por conta da Operação Carne Fraca seria um
Carlos Silva/Mapa - 20.3.17
Para Blairo Maggi, ministro da Agricultura, restrição da carne brasileira por conta da Operação Carne Fraca seria um "desastre"


A Coreia do Sul revogou nesta terça-feira (21) a suspensão da importação de carnes, em especial a de frango, da BRF, segundo informações da agência de notícias Bloomberg. Na segunda-feira (20) o Ministério da Agricultura sul-coreano, após toda repercussão da operação Carne Fraca da Polícia Federal, informou que iria intensificar a fiscalização dos alimentos importados do Brasil e que exigiria de sua fornecedora um certificado de saúde emitido pelo governo brasileiro.

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A BRF, detentora das marcas Sadia, Perdigão e Qualy no Brasil, que foi citada na Operação Carne Fraca, afirmou em comunicado que a empresa não havia sido notificada da suspensão. “Diferentemente do que vem sendo noticiado, a BRF informa que não recebeu nenhuma notificação oficial das autoridades brasileiras ou estrangeiras a respeito da suspensão de suas fábricas por países com os quais mantém relações comerciais, incluindo Coreia do Sul e União Europeia”.

A decisão do governo sul-coreano levou em consideração o comunicado do governo brasileiro enviado na segunda-feira (20). Foi informado à Coreia do Sul que a carne, em que foi constada irregularidades, não foi exportada para o país. Entretanto, o governo afirmou que a União Europeia e Hong Kong receberam lotes fora dos padrões.

Sem negociação

China, União Europeia e Chile continuam com as importações de carnes brasileiras suspensas. No final da tarde de segunda-feira (20), o  ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, anunciou a suspensão da licença de exportação de 21 plantas de frigoríficos sob investigação na operação Carne Fraca.

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Segundo o ministro, a restrição da carne brasileira no mercado internacional por conta das investigações da Polícia Federal seria um desastre. "A China é um grande importador nosso. A Comunidade Europeia, além de ser o nosso segundo ponto de importação é também o nosso cartão de visitas", ressaltou o ministro. "Quem vende para Europa vende para muitos países que, muitas vezes, nem pedem fiscalização nossa, pois sabem que temos um sistema bom".

A venda ao mercado interno continua inalterada, pois segundo Maggi, o controle para garantir a qualidade dos produtos é maior. Maggi afirma ainda que o Brasil pode receber pedidos de esclarecimentos de cerca de 30 países em relação às investigações da Operação Carne Fraca, que devem se juntar aos que já comunicaram a suspensão ou redução das importações da carne brasileira. Maggi afirmou aos jornalistas que o Egito notificou a pasta sobre a possibilidade de suspender as compras do produto. A Rússia observa a reação da União Europeia para decidir que medida tomar.

*Com informações da Agência Brasil e da Bloomberg

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