Apesar da restrição, venda de produtos no mercado interno segue liberada; foco do governo é evitar medidas rígidas de países compradores do produto

Agência Brasil

Após União Europeia, Coreia do Sul, China e Chile oficializarem que paralisariam a importação da carne brasileira , o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, anunciou a suspensão da licença de exportação de 21 plantas de frigoríficos sob investigação na Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na sexta-feira (17).

Segundo o ministro, a restrição da carne brasileira no mercado internacional por conta da Operação Carne Fraca seria um desastre. "A China é um grande importador nosso. A Comunidade Europeia, além de ser o nosso segundo ponto de importação é também o nosso cartão de visitas", ressaltou o ministro. "Quem vende para Europa vende para muitos países que, muitas vezes, nem pedem fiscalização nossa, pois sabem que temos um sistema bom".

Para Blairo Maggi, ministro da Agricultura, restrição por conta da Operação Carne Fraca seria um
Carlos Silva/Mapa - 20.3.17
Para Blairo Maggi, ministro da Agricultura, restrição por conta da Operação Carne Fraca seria um "desastre"

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Apesar da medida relativa às exportações, a venda dos produtos no mercado interno segue liberada. Maggi argumentou que as medidas a serem tomadas dentro do Brasil são mais brandas pois há controle de procedimentos, com base na legislação. "No mercado interno, a gente tem mais controle". Segundo a denúncia da PF, o esquema envolve empresários do agronegócio e fiscais agropecuários que facilitavam a emisão de certificados sanitários mesmo para produtos inadequados para consumo.

De acordo com o representante do governo, há a preocupação com o mercado externo por causa da dificuldade de reabertura caso haja alguma medida mais rígida. "Uma vez que haja o fechamento de um mercado desses, para reabrir serão muitos anos de trabalho", explica Maggi. "Nossa preocupação neste momento é não deixar sem resposta todos os pedidos de informação que o mercado internacional está nos pedindo", disse.

Esclarecimentos para outros países

O governo brasileiro pretende esclarecer questionamentos de autoridades sanitárias para outros países. A Chine, por exemplo, tem restringido o desembaraço de contêineres brasileiros em seus portos, ou seja, a saída dos produtos em direção aos mercados consumidores. De acordo com a agência de notícias chines Xinhua, as exportações do Brasil para a China cresceram 94,3% nos primeiros dois meses do ano em relação ao mesmo período de 2016. Em janeiro e fevereiro, as exportações para o país trouxeram US$ 6,2 bilhões, principalmente nas vendas de petróleo e ferro, soja, polpa de madeira e carne bovina.

Maggi afirma que o Brasil pode receber pedidos de esclarecimentos de cerca de 30 países, que devem se juntar aos que já comunicaram que suspendarão ou reduzirão a importações da carne brasileira. O ministro informou que o Egito informou a pasta sobre a possibilidade de suspender as compras do produto. A Rússia observa a reação da União Europeia para decidir que medida tomar.

Ainda segundo o ministro, não há restrição de embarque da carne brasileira para o mercado externo. As inspeções nos frigoríficos devem ocorrer em três semanas, prazo estipulado pelo governo para esclarecer dúvidas levantadas na investigação. "É claro que as empresas têm que ter ciência deste momento. Eu, particularmente, se fosse uma empresa dessas, não faria embarque até uma definição final do que vai acontecer", disse.

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Segundo o ministro, o governo já está coletando amostras de produtos dos envolvidos na operação. "Se detectarmos algum problema, vamos recomendar a suspensão e o recolhimento desses produtos", garantiu.

O setor investigado na Operação Carne Fraca movimenta cerca de US$ 15 bilhões por ano. Desse valor, as exportações para outros países representam cerca de 30%. "Significa muito dinheiro nisso, por isso a nossa atenção em não deixar acontecer [a interrupção]. Não estamos só preocupados com a balança comercial, isso é um ponto, mas esse setor emprega seis milhões de pessoas", ressaltou Maggi.

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