Empresa compra algodão orgânico de fazenda em Burkina Faso que utiliza crianças na produção, segundo Bloomberg

Angels da Victoria's Secret: algodão produzido com trabalho infantil
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Angels da Victoria's Secret: algodão produzido com trabalho infantil
Por essa nem as Angels esperavam. Famosa por suas lingeries e produtos para o público feminino, a grife Victoria’s Secret é acusada de utilizar, ainda que sem conhecimento, algodão orgânico produzido em fazendas de Burkina Faso que utilizam mão-de-obra infantil, segundo reportagem da agência de notícias Bloomberg.

Um repórter da agência passou seis semanas no país, onde teve acesso à adolescente Clarisse Kambire, de 13 anos, que trabalha na plantação de algodão de uma das fazendas que vendem para a Victoria’s Secret. A propriedade é certificada com o selo de sustentabilidade de comércio justo, o que garantiria que o produto está livre de práticas como o trabalho infantil. Porém, como a própria Clarisse prova, não é isso que ocorre.

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As fibras produzidas na fazenda na qual trabalha Clarisse vão para Índia e Sri Lanka antes de serem empregadas nas lingeries da Victoria’s Secret. Um parceiro da grife, a National Federation of Burkina Cotton Producers (Federação nacional dos produtores de Burkina Faso, em tradução livre), é responsável por administrar tudo o que diz respeito ao programa comercial certificado do país. É essa associação que certifica o algodão proveniente de comércio justo que é vendido para a Victoria’s Secret.

De acordo com a Bloomberg, a utilização de trabalho infantil em sua cadeia produtiva expõe a falha no sistema de certificação de matérias-primas sustentáveis. Os fazendeiros que participam do programa em Burkina Faso alegam que não têm recursos para produzir algodão para o comércio justo sem infringir o princípio central do movimento, que é forçar crianças a trabalhar nos campos.

Um executivo da grife entrevistado pela Bloomberg diz que a quantidade de algodão comprada de Burkina Faso é mínima, mas acrescentou que leva o trabalho infantil a sério.

“Eles descrevem comportamento contrário aos valores de nossa companhia e ao código de trabalho e padrões que exigimos que nossos fornecedores atendam”, afirma em comunicado Tammy Roberts Myers, vice-presidente de comunicações externas da Limited Brands Inc, que tem na Victoria’s Secret sua maior unidade.

(com Bloomberg)

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