Câmbio e defasagem de preços afetaram resultado da Petrobras

Diretor financeiro da estatal admitiu que desempenho do 4º trimestre veio abaixo do esperado

Carla Falcão, iG Rio de Janeiro | 10/02/2012 15:22

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Diretor financeiro e de relações com investidores da Petrobras, Almir Barbassa reconheceu que 2011 foi um ano muito difícil para a companhia. Em entrevista coletiva para a divulgação de resultados realizada hoje, na sede da empresa no Rio de Janeiro, o executivo admitiu ainda que o desempenho registrado no quarto trimestre de 2011 foi inferior ao esperado, mas ressaltou que “o número que está no balanço não reflete o desempenho real da operação da companhia”.

Petrobras teve pior resultado entre petroleiras globais

A Petrobras anunciou na noite de quinta-feira que registrou lucro líquido de R$ 5,049 bilhões no quarto trimestre de 2011, um resultado 52% inferior ao apresentado pela estatal no quarto trimestre de 2010. No ano de 2011, o lucro somou R$ 33,313 bilhões, o que representou uma queda de 5,3% sobre 2010.

Segundo Barbassa, o câmbio e a defasagem entre o preço do petróleo no mercado internacional e o valor mais baixo cobrado pela Petrobras foram os principais fatores que levaram à queda do lucro da estatal no último trimestre do ano. “Temos 60% de nosso custo de produção indexados ao dólar. Com o real mais desvalorizado, isso (o impacto) cresce”, afirmou.

Lucro da Petrobras cai 5,3% em 2011

Já a diferença de preços entre o petróleo pesado e o brent – que pode variar entre US$ 6 e US$ 10 – explicou o executivo, não interfere apenas no preço do petróleo em si, mas atinge também o pagamento de royalties e participações especiais. “O efeito dessa defasagem sobre nosso resultado é muito forte”.

Em sua última entrevista coletiva de divulgação de resultados como presidente da Petrobras, cargo que deixa na próxima segunda-feira, José Sergio Gabrielli disse que a redução do lucro tem “muito a ver com os elementos conjunturais do preço e do câmbio e também com alguns impactos não controlados na produção, como as paradas não programadas”.

As paradas não programadas – que reduziram a produção em 40 mil barris de petróleo por dia, em média - tiveram que ser feitas por força de um acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para reduzir riscos nas plataformas. Segundo Guilherme Estrella, diretor de Exploração e Produção, as paradas não programadas são mais longas e dispendiosas , onerando os custos da companhia.

Outro fator que influenciou o resultado foi a mudança contábil referente às subsidiárias com controle compartilhado. Segundo as novas regras, essas empresas entram no balanço apenas como equivalência patrimonial, o que afetou diretamente tanto as vendas quanto o lucro bruto da Petrobras.

 Nave em alta velocidade

A despeito dos resultados apresentados, Barbassa foi enfático ao afirmar, por duas vezes, que “a Petrobras é uma nave andando em alta velocidade e em rampa de crescimento”. De acordo com ele, “esta é a companhia que nós temos hoje e que a presidente Graça (Foster) assume”.

Gabrielli também não economizou entusiasmo ao apresentar um balanço da empresa nos últimos 10 anos. Embora os resultados divulgados nesta quinta-feira tenham surpreendido negativamente o mercado – as ações da Petrobras operavam em baixa nesta sexta-feira – Gabrielli minimizou a questão e atribuiu o desempenho à necessidade da empresa de implementar ajustes. “Esses ajustes são conjunturais, porque estruturalmente a companhia apresenta imensa expectativa de crescimento”, afirmou.
 

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