Petrobras baixa preço do gás para estimular consumo

Redução média, de 9,7%, beneficiará principalmente a indústria. Consumidor residencial também deverá ser contemplado

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro | 20/04/2011 18:31

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Foto: Helio Motta Ampliar

Graça: o melhor resultado que a Petrobras pode ter é desenvolver o mercado interno

A Petrobras comunicou às distribuidoras de gás natural que o produto ficará mais barato a partir de 1º de maio. A redução de valores beneficiará principalmente a indústria e também deverá contemplar consumidores de gás natural canalizado nas residências. O Gás Natural Veicular (GNV), usado principalmente por taxistas, também poderá ficar mais em conta, mas não é o foco da empresa. A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster, afirmou, em entrevista concedida ao iG na última sexta-feira, que para o mercado automotivo já existem as opções da gasolina e do etanol. Portanto, a estatal não tem prioridade para ampliar o consumo neste segmento.

Os preços vão recuar em média 9,7%, considerando o abastecimento de quase todo o País, por distribuidoras que compram o insumo brasileiro, produzido pelos campos nacionais. Na região Sul e na área da Gás Brasiliano, responsável pelo abastecimento da região noroeste do estado de São Paulo, os preços não vão baixar, porque as distribuidoras compram o produto importado da Bolívia - com contratos diferentes, mais vulneráveis a cotações internacionais.

Por trás da redução de preços do gás natural nacional está a estratégia da Petrobras de estimular o consumo do produto no País.  Graça Foster, antecipou que a estatal planeja aumentar o consumo, já que a oferta do produto tende a crescer consideravelmente nos próximos meses e anos, conforme o início de produção das áreas do pré-sal da Bacia de Santos. Com a queda nos preços, a estatal pretende garantir e aumentar o consumo da indústria.

Outro foco da Petrobras é elevar o consumo de gás no mercado de energia elétrica, tanto como fornecedora de gás para térmicas como geradora de eletricidade com suas próprias usinas.

Produção cresce 60%

Neste ano, com o início de operação do gasoduto Caraguatatuba-Taubaté (Gastau), o aumento na produção de gás nacional deverá ser da ordem de 60%, dos atuais 30 milhões de metros cúbicos para 49 milhões de metros cúbicos por dia. Por meio dele, a Petrobras vai escoar a produção de gás natural dos campos Mexilhão e Uruguá-Tambaú, localizados na Bacia Santos, para o mercado consumidor. Também neste gasoduto passará o gás proveniente do campo de Lula (ex-Tupi) e de outras áreas do pré-sal de Santos.

Além do gás nacional, a Petrobras conta com um contrato de importação da Bolívia que prevê a compra de 24 milhões a 31 milhões de metros cúbicos por dia do país vizinho. E construiu terminais de regaseificação para o consumo de Gás Natural Liquefeito (GNL), com capacidade para importar 21 milhões de metros cúbicos por dia.

Indagada sobre a possibilidade de a Petrobras se tornar exportadora de gás, Graça Foster responde que melhor é estimular o mercado interno. Se a gente vier a atuar como exportador será como um exportador oportunista no mercado spot e a gente precisa ter desenvolvimento interno no mercado interno mais forte, mais vigoroso, para que a gente possa absorver o máximo de gás no Brasil e compensar as volatilidades do mercado. Mas eventualmente é possível que a gente exporte”, afirma.

"Diante do cenário recente de evolução dos preços dos energéticos e suas consequências sobre os valores estipulados nos contratos de gás natural de origem nacional, a Petrobras resolveu, a seu exclusivo critério, conceder um desconto nestes contratos a partir de maio de 2011", informou a petroleira por meio de nota.

 

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    • Fonte: Thomson Reuters
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