Pressionada por evolução tecnológica, empresa terá de ouvir mais os funcionários

Por Murilo Aguiar - iG São Paulo |

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Estudo da Ericsson identificou oito tendências de como a tecnologia transformará a relação entre empresa e empregado

Que a tecnologia está cada dia mais inserida no dia a dia, todos já sabem. Desde trocar mensagens via internet até manter o controle das finanças pessoais por meio de um aplicativo de celular, o mundo digital tem mudado a maneira como as pessoas se comportam e se relacionam. No entanto, estas mudanças não se aplicam apenas à vida pessoal e social do usuário de internet, mas também à profissional. A maior velocidade e flexibilidade que a internet proporciona para a realização destas tarefas criam novos hábitos, que as pessoas começam a aplicar no ambiente de trabalho. E as mudanças estão longe de acabar.

Thinkstock/Getty Images
A internet e as tecnologias móveis criaram novos hábitos, que passam a mudar a dinâmica entre empregador e empregado

Para buscar mais inovação em seus serviços, a empresa sueca de tecnologia Ericsson realiza pesquisas há cerca de dez anos com usuários de internet e de tecnologia móvel. A partir de um banco de dados com aproximadamente 100 mil pessoas entrevistadas em 40 países, a companhia identificou oito tendências de como estes novos comportamentos podem mudar a relação entre empregadores e empregados.

De acordo com o diretor de Marketing da Ericsson na América Latina e Caribe, Jesper Rhode, estes novos hábitos são ainda mais latentes no Brasil. Além dos brasileiros serem os que mais gastam tempo na internet do mundo, segundo pesquisa realizada pelo Ibope em dezembro de 2012, a cultura do País já é propicia para a adaptação aos novos meios digitais, como as redes sociais. “O brasileiro sempre manteve sua rede de contatos [profissionais] próxima, mesmo antes da internet. Agora mantém mais ainda. Para ele [o brasileiro], é muito fácil se adaptar a isso”, observa o executivo.

O iG teve acesso exclusivo ao estudo da Ericsson Consumer Lab, braço de pesquisa com consumidores da companhia. Confira abaixo os oito pontos que estão mudando a relação entre as empresas e seus empregados devido à internet:

1 – Maior necessidade de representar a empresa

A internet, principalmente após a popularização do comércio eletrônico, fez com que o consumidor final tivesse um acesso maior às companhias, sem a necessidade de um intermediador, como as lojas físicas ou revendedoras. Como consequência, a preocupação com a boa imagem da marca é cada vez maior, pois uma reclamação online de um cliente insatisfeito pode arruinar anos de trabalho. Desta maneira, as empresas começam a procurar funcionários que não buscam apenas um bom salário e benefícios, mas também que compartilhem dos valores e ideais da companhia, tornando-se um embaixador da marca não apenas dentro do seu ambiente de trabalho, mas também fora.

Divulgação
Jesper Rhoden, diretor de marketing da Ericsson na América Latina e Caribe

2 – Ao invés de tarefas, existirão missões

Com o avanço da tecnologia possibilitando que cada vez mais tarefas sejam realizadas de qualquer ambiente e não necessariamente o escritório, o local de trabalho, a maneira como ele é realizado e os prazos também estão se tornando flexíveis. O que importará ao empregado e ao empregador é que o resultado final seja atingido, e não mais os métodos usados para isso. Esta liberdade, no entanto, pode ser um problema para profissionais mais tradicionais, que gostam de estruturas de trabalho bem definidas.

3 – Criação de um sentimento de comunidade

Motivar os funcionários a partir da criação de um sentimento de comunidade dentro da empresa está sendo primordial para atrair e reter talentos. O limite entre o profissional como um empregado e como indivíduo passa a ser cada vez mais tênue. O mesmo acontece nos fóruns e grupos online das redes sociais, nos quais o usuário participa mais ativamente quando se identifica com os assuntos discutidos e as ideias compartilhadas pelos outros integrantes do grupo. Alimentando esta mesma cultura nas empresas, além de melhorar a produtividade e facilitar a gerência de equipes, também pode melhorar a qualidade de vida do funcionário enquanto está trabalhando.

4 - Flexibilidade de duas vias

A partir da internet e tecnologias móveis, a possibilidade de ser encontrado a qualquer momento e em qualquer lugar pelo chefe tornou-se um pesadelo. No entanto, quando bem utilizadas, estas ferramentas podem beneficiar as duas partes. A flexibilidade dos horários e locais de trabalho pode tornar o funcionário mais independente, pois ele pode ajustar o seu ambiente de trabalho às suas necessidades e aumentar sua eficiência, pois haverá um equilíbrio maior entre a vida profissional e a vida pessoal do trabalhador.

5 – Maior espírito do “faça você mesmo”

Com cada vez mais ferramentas tecnológicas para executar tarefas de forma mais independente, como pagar contas no banco ou até mesmo aprender uma outra língua, o sentimento de empreendedorismo passa a ser reforçado dentro das empresas, mesmo entre as mais consolidadas. O funcionário que já aplica a tecnologia para facilitar a sua vida pessoas também poderá utilizá-las para resolver problemas e alcançar melhores resultados em seu ambiente de trabalho. A empresa que incentivar este comportamento, além de aumentar a eficiência do empregado, também terá maiores chances de ser inovadora e adaptável às mudanças do mercado.

6 - O poder do acaso

O investimento em inovação está mais presente do que nunca nas empresas que buscam se manter no topo. O rápido avanço das tecnologias digitais criou uma demanda no consumidor final por melhorias constantes em serviços e produtos de todos os setores. No entanto, para que as companhias consigam suprir a necessidade de inovação, é preciso também incentivar os funcionários a terem ideias criativas. Para isso, os líderes podem começar a promover encontros entre pessoas de sua equipe com funcionários de áreas diferentes e com competências distintas, ou até mesmo de empresas diferentes, aumentando as chances de algum deles enxergar uma nova maneira de realizar determinada tarefa ou ter uma ideia totalmente nova.

7 – Quebra das paredes do escritório

O escritório como é conhecido hoje, com divisórias e portas separando todas as equipes, provavelmente não será o mesmo em poucos anos. A tendência é que o ambiente de trabalho tenha cada vez menos barreiras físicas, como na internet. Com a possibilidade de o profissional realizar seu trabalho de casa, o escritório passará a ser um ambiente construído para otimizar os relacionamentos interpessoais das equipes, ou seja, os empregados passam a ir ao escritório apenas quando houver necessidade de conversar e trocar experiências com outros colegas de trabalho e com seus líderes.

8 – Customização do ambiente de trabalho

Acostumados com os sistemas de seus próprios computadores, smartphones e tablets, os empregados estão cada vez menos dispostos a sacrificar sua eficiência para trabalhar nos equipamentos já destinados a eles pela empresa. A companhia passará a permitir que o funcionário utilize os seus próprios gadgets, com os softwares que já têm facilidade para trabalhar.

No entanto, todas estas mudanças vão ser melhor assimiladas por quem já utiliza as ferramentas digitais hoje em dia. Para quem ainda é relutante, o tempo para se adaptar é curto. Segundo Jesper Rhoden, a previsão é que todas estas mudanças sejam mais notadas nos próximos três ou cinco anos. "Quem não tem facilidade [em usar as novas tecnologias] vai ficar para trás", avalia o executivo.

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