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Exclusão dos entes federativos da reforma da Previdência aprovada pelo Congresso pode dificultar ajuste de contas, diz o ex-ministro da Fazenda

Henrique Meirelles arrow-options
Gabriella Collodetti/Ministério da Fazenda
Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda, prevê que Estados terão dificuldades para reformar Previdência

O economista Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda no governo Temer e atual secretário no governo do Estado de São Paulo, disse nesta sexta-feira (25) que o problema da Previdência nos estados deve ser resolvida logo para que o Brasil volte a crescer.

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Para Meirelles , a aprovação de uma regra federal, por meio da chamada PEC paralela que hoje tramita no Senado Federal, seria melhor do que cada estado levar uma proposta diferente a suas assembleias. O motivo: a proximidade de governadores e deputados estaduais com categorias de servidores numerosas e com grande poder de barganha nas Assembleias estaduais deve atrasar a tramitação dessa proposta.

"Os governos estaduais terão dificuldades (em aprovar reformas da Previdência ). Idealmente teria que ser aprovado pelo governo federal na PEC", disse Meirelles no 12º Encontro de Líderes, evento organizado pela ONG Comunitas, dedicada à inovação na gestão pública e que reuniu empresários, economistas e gestores públicos em São Paulo.

Meirelles reiterou ainda a necessidade de uma reforma tributária para resolver a complexidade tributária do País, que vem afastando investidores estrangeiros que poderiam estar alocando recursos no Brasil. Para Meirelles, é um erro grave deixar estados e municípios de fora da reforma.

"É um erro grave porque temos a questão da complexidade do sistema atual, que gera guerra fiscal. Pela primeira vez os estados chegaram a um acordo de apresentar em conjunto um projeto de reforma tributária. O projeto está pronto e foi apresentado na Câmara e no Senado. Isso é fundamental, é baseado na experiência dos estados, visando simplificar a tributação", defendeu.

Também presente no debate, Ilan Goldfajn , ex-presidente do Banco Central e atual economista-chefe do Credit Suisse, ressaltou que a economia brasileira passou por choques nos últimos anos, como a greve dos caminhoneiros , crise na Argentina, guerra comercial entre Estados Unidos e China, e, apesar disso, conseguiu manter uma taxa de crescimento que, embora tímida, é positiva. Problemas crônicos do passado, e que atrapalhavam o crescimento, como os altos juros, estão resolvidos, na visão de Goldfajn. Mas, para expandir o PIB num ritmo mais elevado, é essencial o avanço das reformas, ele defende.

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"Não temos mais os problemas do passado, não temos mais o problema do juro estrutural alto. Tivemos choques muito relevantes nos últimos anos. A expectativa de PIB é de ficar mais perto de 2% (no ano que vem). Temos que ter persistência nas reformas senão ninguém cresce. Temos também  que pensar num crescimento inclusivo, combater privilégios, distorções, subsídios específicos para A B ou C, para chegarmos nesse crescimento de 2%", disse Goldfajn.