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Acessos ao Anexo II foram fechados por conta de tumulto e "tentativa de invasão", segundo a Câmara; no plenário, faixas e bandeiras marcam fla-flu

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Lula Marques
No plenário da Câmara, oposição ao governo ostenta faixas contra a reforma da Previdência

Policiais legislativos que atuam na Câmara dos Deputados lançaram mão do uso de sprays de pimenta para impedir que trabalhadores e estudantes ingressassem nas dependências da Casa, nesta quarta-feira (10).

Os acessos ao anexo II da Câmara foram fechados em meio ao tumulto que se formou durante o protesto contra a reforma da Previdência, que deve ser votada em primeiro turno ainda nesta quarta  pelos deputados em plenário. Segundo a assessoria da Casa, houve "tentativa de invasão". Ainda há dezenas de manifestantes nas dependências da Câmara .

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, concedeu duas liminares para garantir a oito pessoas o direito de acompanhar as discussões sobre a reforma da Previdência . As liminares autorizam um grupo representante do Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério Público da União e do Conselho Nacional do Ministério Público a ocupar as galerias da Câmara, especificamente os espaços abertos ao público, para acompanhar a votação.

Nos pedidos enviados ao STF, os sindicalistas afirmaram que a PEC trata de “direitos sociais e econômico de grande repercussão”, portanto, a entidade teria interesse em acompanhar as discussões. Segundo as ações, o sindicato tem quase cinco mil servidores afiliados. O grupo alertou para “um histórico de proibições de acesso dos movimentos sindicais nas sessões do Congresso, todos eles sabiamente coibidos por essa Suprema Corte”.

Toffoli determinou que a decisão fosse comunicada ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

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Do lado de dentro da Casa, parlamentares da oposição ao governo protestaram contra a atuação dos policiais legislativos. "Isso é uma vergonha porque o povo não ouve calado que os deputados retirem os seus direitos. E, quando conseguem vir até aqui, são tratados com despreparo e repressão. Se vocês têm vergonha de seu voto, que vão fazer outra coisa", reclamou a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP).

O clima de fla-flu domina o plenário da Câmara desde que a sessão foi aberta. Enquanto partidários da reforma balançam bandeiras do Brasil, os contrários ostentam faixas que denunciam o “fim da aposentadoria”. Nos dois lados, deputados munidos de celulares iniciam lives, as transmissões ao vivo pelas redes sociais.

O líder do PT, Paulo Pimenta (RS), foi à tribuna com parte dos colegas de bancada. “É uma reforma que não enfrenta grandes privilégios, traz distorções e protege os responsáveis pelo desequilíbrio fiscal”, disse. Pimenta também denunciou a liberação de emendas por parte do governo na reta final da reforma. “Aceitam o jogo perverso de trocar um recurso uma emenda pelo direito do povo se aposentar”, condenou.

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Vice-líder do PL na Câmara , o deputado Giovani Cherini (RS), disse que a reforma é só o início das transformações promovidas pelo governo. “É a reforma possível, necessária e o que precisamos fazer. Todo remédio é amargo, a reforma vai sacrificar muita gente, mas vai acabar com os privilégios”, disse.