Brasil Econômico

Marcelo Ramos, presidente da comissão especial da Previdência
Cleia Viana/Câmara dos Deputados - 21.5.19
Governadores precisam "calçar sandálias da humildade" e cobrar que estados estejam na reforma da Previdência

O presidente da comissão especial que analisa o mérito da reforma da Previdência, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), afirmou que os governadores precisam "calçar as sandálias da humildade" e cobrar que os deputados que mantenham os estados na proposta que altera as regras da aposentadoria.

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Segundo ele, a tendência mais forte na Câmara é que os governos regionais sejam excluídos das mudanças, apesar da gravidade da situação financeira de alguns entes. Ramos disse ainda que os governadores não têm força politica  nas bancada para impor sua vontade aos deputados.

"Os governadores têm que calçar a sandália da humildade e vir para cá dizer assim, olha, nós não temos coragem de fazer, nós queremos pedir aos deputados que façam por nós. É isso que eles têm fazer humildezinhos", defendeu o presidente do colegiado.

Ramos  aproveitou a oportunidade para relatar o descontentamento de deputados em relação à declaração do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que teria dito que eles são mesquinhos, irresponsáveis e eleitoreiros por insistirem em retirar estados e municípios da reforma.

"A declaração do Doria foi muito ruim porque foi agressiva e desrespeitosa com os deputados. Quem é eleitoreiro não é quem está votando a matéria, é quem está fugindo de votar e pedindo que outro vote por ele", avaliou o presidente da comissão , que lembrou que o tucano, quando foi prefeito de São Paulo, enviou uma reforma para a Câmara e depois retirou a proposta por conta das pressões.

Ramos defende que a reforma deve valer somente para o regime de Previdência da União, e alega que a aplicação automática das mudanças para os governos regionais adentra na autonomia federativas dos estados e municípios. Ele mencionou ainda que a situação entre os entes é muito diferenciada.

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"Tem estado que está quebrado, tem estado que não está quebrado. Você vai aplicar o mesmo remédio para um paciente que está na UTI e para um paciente que está com febre. Isso não me parece razoável", ponderou, acrescentando que diante do apelo dos governadores e prefeitos é preciso estabelecer o diálogo para se encontrar uma solução.

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