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Estimativa para a expansão do PIB passou de 2,48% para 2,30%; mais cedo, a OCDE já havia divulgado projeções pessimistas para a economia brasileira

O pessimismo quanto ao crescimento do PIB em 2019 corrobora com as previsões divulgadas hoje (6) pela OCDE
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O pessimismo quanto ao crescimento do PIB em 2019 corrobora com as previsões divulgadas hoje (6) pela OCDE

Analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC) reduziram a expectativa para o crescimento da economia em 2019. De acordo com o boletim Focus publicado nesta quarta-feira (6), a estimativa para a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano passou de 2,48% para 2,30%, uma queda de 0,18 ponto percentual.

O pessimismo quanto ao crescimento do PIB em 2019 corrobora com as previsões divulgadas hoje pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). Mesmo apontando que uma recuperação moderada da economia está em curso no País, a entidade também reduziu a estimativa para a expansão do PIB – mas de 2,1% para 1,9%, porcentagem ainda menor do que a prevista pelo boletim Focus.

Os analistas consultados pelo BC também estimaram o crescimento do PIB brasileiro para os próximos três anos. Em 2020, ao contrário do que aconteceu com as previsões deste ano, a expectativa de expansão da economia subiu de 2,65% para 2,70%. Para 2021 e 2022, porém, as estimativas seguem em 2,50%.

Inflação e dólar

A estimativa para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) segue em 3,85%
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A estimativa para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) segue em 3,85%

Quanto à inflação de 2019, nada mudou em relação às expectativas divulgadas na semana passada. Segundo o boletim Focus, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) segue em 3,85%. As previsões para os próximos três anos também não se alteraram: em 2020, a inflação deve ser de 4%; em 2021 e 2022, de 3,75%.

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A projeção para 2019 está dentro da meta de 4,25%, com intervalo de tolerância entre 2,75% e 5,75%, estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No início deste ano, a primeira edição do relatório Focus estimava inflação de 4,01% – 0,16 ponto percentual acima do que prevê hoje.

As estimativas do mercado financeiro para a cotação do dólar também se mantiveram estáveis em relação à semana passada: de R$ 3,70 em 2019 e R$ 3,75 em 2020. Ao contrário do que acontece com o PIB e a inflação, os analistas não fazem projeções para a moeda norte-americana para além do ano que vem.

Taxa Selic

Os analistas estimam que a Selic deve permanecer em 6,5% ao ano, seu mínimo histórico, até o fim de 2019
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Os analistas estimam que a Selic deve permanecer em 6,5% ao ano, seu mínimo histórico, até o fim de 2019

O boletim Focus desta semana também divulgou suas expectativas para a taxa Selic, o principal instrumento utilizado pelo BC para controlar a inflação. Os analistas estimam que a Selic deve permanecer em 6,5% ao ano, seu mínimo histórico, até o fim de 2019. Para o final de 2020, 2021 e 2022, a estimativa é de 8% ao ano.

A Selic, que serve de referência para os demais juros da economia, é a taxa média cobrada nas negociações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional registradas diariamente no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). A manutenção da Selic, como prevê o mercado financeiro neste ano, indica que o Copom (Conselho de Política Monetária) considera as alterações anteriores nos juros básicos suficientes para chegar à meta de inflação.

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Ao reduzir os juros básicos, a tendência é diminuir os custos do crédito e incentivar a produção e o consumo. Para cortar a Selic, o BC precisa estar seguro de que os preços estão sob controle e não correm risco de ficar acima da meta de inflação. Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços, uma vez que juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.


*Com informações da Agência Brasil