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Segundo a organização internacional, a economia mundial deve crescer 3,3% em 2019, enquanto a expectativa para o PIB brasileiro é de menos de 2%

OCDE projeta crescimento econômico mundial de 3,3%, além de 1,9% para o PIB do Brasil neste ano
Fernanda Carvalho/Fotos Públicas
OCDE projeta crescimento econômico mundial de 3,3%, além de 1,9% para o PIB do Brasil neste ano

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) anunciou a redução das projeções de crescimento econômico para o Brasil e o mundo neste ano. O relatório, divulgado nesta quarta-feira (6), aponta para um crescimento mundial de 3,3% em 2019, e, para o Brasil, um crescimento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

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Mundialmente, o documento afirma que a economia deverá ser afetada sobretudo por conta das incertezas políticas, tensões comerciais, o Brexit e a falta de confiança aos produtores e consumidores que tantas dúvidas geram. A OCDE já havia projetado desaceleração econômica global em novembro do ano passado.

O relatório estima um crescimento mundial de 3,3% neste ano e 3,4% em 2020, enquanto os números anteriores revelavam expectativas de 3,5% para este ano e o próximo. "O aumento da incerteza política, as tensões comerciais persistentes e uma contínua redução da confiança das empresas e dos consumidores" são apresentados pela Organização como as causas para a diminuição de expectativa.

Quase todas as economias do G20 tiveram estimativas reduzidas para este ano, especialmente na Zona do Euro (-0,8 ponto percentual, indo a 1%) e Reino Unido (-0,6 ponto, passando a 0,8%). A OCDE destaca que o comércio mundial "desacelerou fortemente" por conta das barreiras comerciais e que "os novos pedidos em vários países permanecem em queda", o que ajuda a explicar as projeções menores.

O relatório destaca que as restrições aplicadas no ano passado "pesam sobre o crescimento, o investimento e os níveis de vida, em particular das residências com baixa renda", ou seja, a queda é impulsionada e mais sentida pelos mais pobres.

A Alemanha, maior economia europeia, teve um dos mais expressivos cortes de estimativa de crescimento do PIB em 2019. A previsão passou de 1,6% para modestos 0,7%. Em 2020, no entanto, é esperado um fôlego, com a economia crescendo 1,1%.

Caso a separação entre Reino Unido e União Europeia – Brexit – termine sem acordo, "a perspectiva seria significativamente menor" para a Grã-Bretanha, diz o documento. A entidade prevê que o PIB cairia 2% nos próximos dois anos por conta dos impactos da aplicação de tarifas alfandegárias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O relatório mostra Índia e China com as maiores expectativas de crescimento neste ano, o que faz com que a desaceleração global seja menos acentuada, por se tratar dos dois países mais populosos do mundo, que juntos somam mais de um terço da população mundial. Enquanto a economia indiana deve crescer 7,2% neste ano, a chinesa deve aumentar 6,2%. Para os Estados Unidos, a projeção é de 2,6%, enquanto a expectativa para a Turquia é de retração de 1,8%, alarmando para a situação econômica, política e social do país governado por Erdogan . O Japão também tem projeção alarmante, com crescimento de apenas 0,8%. Entre os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a menor expectativa é a russa, de 1,4%.

Nas américas, a projeção brasileira aparece dentro das expectativas locais. Enquanto os EUA devem crescer 2,6% e o Brasil 1,9%, o crescimento canadense deve ser de 1,5%, e o mexicano de 2%. Sinal de alerta segue ligado para a Argentina, cuja projeção é de -1,5%. O país comandado por Mauricio Macri vive período conturbado, marcado pela alta inflação e uma série de protestos.

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Projeção da OCDE para o Brasil

OCDE aponta agenda de reformas do governo como ponto crucial para a recuperação econômica brasileira
Marcelo Camargo/Agência Brasil
OCDE aponta agenda de reformas do governo como ponto crucial para a recuperação econômica brasileira

Segundo a Organização, o PIB brasileiro, que compreende a soma de todos os bens e serviços produzidos no País, deve crescer 1,9% neste ano, ante 2,1% da projeção anterior, logo após a eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Na última semana, foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o crescimento econômico de 2018, que foi de 1,1%, mesmo percentual obtido em 2017. Entre 2015 e 2016, o País viveu sua pior recessão da história, o que revela, apesar do crescimento não ser expressivo, um momento de recuperação.

A projeção da entidade internacional para a economia brasileira é menor do que apontado pela última edição do Boletim Focus , relatório semanal divulgado pelo Banco Central (BC), que ouve centenas de instituições financeiras para projetar PIB, inflação, dólar e outros pontos. A estimativa do mercado é de crescimento de 2,48% neste ano, contra 1,9% estimado pela OCDE.

"A melhora na confiança dos empresários, a redução de incertezas políticas, inflação baixa e melhora no mercado de trabalho vão ajudar a demanda doméstica", destaca o relatório, que justifica que a implantação bem sucedida da agenda reformista do governo, com ênfase na reforma da Previdência ,"ainda é fundamental para uma retomada mais forte do crescimento".
Para 2020, a OCDE  estima um crescimento econômico de 2,4% no Brasil.