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Embora as pessoas enxerguem a sustentabilidade como algo que pode fazer a diferença, essa preocupação nem sempre se traduz em ações concretas

Segundo levantamento, a maioria dos brasileiros (55%) se encaixa no grupo de
Repodução/ITV
Segundo levantamento, a maioria dos brasileiros (55%) se encaixa no grupo de "consumidores em transição", isto é, com hábitos de consumo consciente ainda aquém do desejado

Apesar de a maioria dos brasileiros reconhecer a importância do consumo consciente, poucos vêm adotando práticas mais responsáveis no dia a dia. É o que mostra uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) realizada em todas as capitais do país, que entrevistou consumidores maiores de idade, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais.

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De acordo com o levantamento, a maioria dos brasileiros (55%) se encaixa no grupo de "consumidores em transição", isto é, com hábitos de consumo consciente ainda aquém do desejado. Os pouco ou nada conscientes somam 14% do total de entrevistados, enquanto apenas 31% podem ser considerados consumidores – realmente – conscientes.

Os dados fazem parte do Indicador de Consumo Consciente (ICC), que atingiu 73% em 2018 e  manteve-se estável em relação ao ano passado (72%). O ICC pode variar de 0% a 100%: quanto mais próximo de 100% for o índice, maior é o nível de consumo consciente.

O estudo indica que, embora as pessoas enxerguem o consumo responsável como um fator que pode fazer diferença, essa preocupação nem sempre se traduz em ações concretas. Dos entrevistados, quase todos (98%) consideram importante ou muito importante ter uma vida com hábitos de consumo mais consciente — seja pela economia de recursos, de água e energia, seja pelo reaproveitamento das coisas.

“Muita gente entende a importância de transformar boas intenções em bons hábitos, mas só toma alguma atitude quando a conta fica cara. E não basta ter um esforço de conscientização apenas em situações críticas. Essa prática deve ser contínua, além de estar claro que a escassez de recursos é uma realidade bem próxima”, ressalta a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Práticas de consumo consciente

O levantamento aponta que, dentre as várias ações de consumo consciente que já fazem parte da rotina dos brasileiros,  sempre pesquisar preço se destaca entre os entrevistados (92%)
iStock
O levantamento aponta que, dentre as várias ações de consumo consciente que já fazem parte da rotina dos brasileiros, sempre pesquisar preço se destaca entre os entrevistados (92%)

O aspecto financeiro é o que mais influencia as práticas de consumo consciente entre as pessoas. O levantamento aponta que, dentre as várias ações que já fazem parte da rotina dos brasileiros, destacam-se: sempre pesquisar preços (92%), avaliar previamente o orçamento (91%) e optar por não adquirir algo novo quando o bem ainda pode ser usado ou até mesmo consertado (90%).

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Além disso, 88% dos entrevistados disseram ter o costume de fazer na própria casa alguns serviços que poderiam ser contratados fora para economizar, como manicure, pet shop, cinema e lanches. Outros 87% garantem que sempre planejam as compras do dia a dia, como supermercados, feiras e pequenas aquisições.

A pesquisa também indica que há um esforço por parte dos consumidores em controlar o orçamento e economizar ao máximo. Enquanto 78% sempre pedem descontos em suas compras, 77% não recorrem ao cheque especial ou ao limite do cartão de crédito para conseguir fechar as contas do mês. Outros 72% evitam fazer compras parceladas para não comprometer o seu rendimento mensal.

“A crise, ainda que à força, vem ensinando os brasileiros muitas lições valiosas sobre economizar e pesquisar antes de sair comprando. Não se trata de simplesmente frear o consumo, mas sim de entender que é preciso comprar com inteligência", avalia o educador financeiro do portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli.  "Em vez de procurar sempre um produto novo, é possível buscar a reutilização, a troca, o aluguel", completa.

Meio ambiente

Ao considerar o consumo consciente de água, a atitude mais adotada pelos entrevistados pela CNDL e pelo SPC é fechar a torneira enquanto se escova os dentes (92%)
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Ao considerar o consumo consciente de água, a atitude mais adotada pelos entrevistados pela CNDL e pelo SPC é fechar a torneira enquanto se escova os dentes (92%)

A boa notícia é que os brasileiros já estão incorporando hábitos sustentáveis do ponto de vista ambiental a sua rotina. Ao considerar o consumo racional de água, a atitude mais adotada pelos entrevistados é fechar a torneira enquanto se escova os dentes (92%). Em seguida, aparecem os que dizem controlar mensalmente o valor da conta de água (86%) e ensaboar a louça com a torneira da pia fechada (85%).

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Quanto ao uso racional de energia elétrica, também há também uma conscientização crescente dos brasileiros. Apagar as luzes de ambientes que não estão sendo utilizados é a principal prática (95%) mencionada. O segundo hábito mais comum de economia está ligado ao controle do valor da conta de luz (90%) e o terceiro é passar roupas apenas quando existe um volume grande de peças (82%).

Entre as ações de preservação do meio ambiente , as mais comumente citadas são doar ou trocar um produto antes de jogá-lo fora (86%) e evitar imprimir papéis para reduzir gastos e prejuízos ao planeta (79%). Em contrapartida, há um sinal de alerta: mais da metade só acha importante praticar o consumo consciente daqui a alguns anos, quando problemas mais graves atingirem o meio ambiente (55%).

Motivações e desafios

Para 35% dos entrevistados pela CNDL e pelo SPC, o consumo consciente de água e energia elétrica está ligado a ações que evitam o desperdício de um bem que pode acabar
Thinkstock
Para 35% dos entrevistados pela CNDL e pelo SPC, o consumo consciente de água e energia elétrica está ligado a ações que evitam o desperdício de um bem que pode acabar

A pesquisa também revela quais são os aspectos que motivam o consumo consciente. Para 35% dos entrevistados, o uso racional de água e energia elétrica está ligado a ações que evitam o desperdício de um bem que pode acabar, enquanto 22% afirmam dar o exemplo aos filhos, família, amigos e vizinhos, influenciando suas atitudes.

Além disso, a maioria das pessoas ouvidas desaprova atitudes de consumo nocivas quando veem outros desperdiçando água, energia ou comprando produtos sem se preocupar com o meio ambiente. De cada dez entrevistados, seis (60%) se sentem prejudicados por acreditarem que nada irá mudar se apenas eles próprios e não o todo fizerem sua parte.

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Entre os principais obstáculos apontados quanto à adoção de atitudes de consumo consciente , o mais citado tem a ver com maus hábitos que vão se tornando rotineiros sem que a pessoa perceba. Quando o assunto é economizar água, luz e telefone, 33% reconhecem que a principal barreira é a distração ou esquecimento. Outros 22% afirmam ficar desmotivados por não verem resultados diante das mudanças de atitude.

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