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Pipoca, amendoim, laticínios e frios também mostram alta, dependendo do horário do jogo. Já outros setores sofrem com a mobilização pelo Mundial

Cerveja (30% a 50%) puxam alta das vendas em dias de jogo do Brasil na Copa do Mundo
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Cerveja (30% a 50%) puxam alta das vendas em dias de jogo do Brasil na Copa do Mundo

Cerveja, futebol e churrasco. Essa parece mesmo ser a combinação perfeita para a maioria dos brasileiros que estão consumindo durante a Copa do Mundo. Pelo menos é isso que uma pesquisa realizada pelo setor de economia da Associação Paulista de Supermercados (Apas) concluiu ao apontar os itens cerveja e carnes como os principais responsáveis pelo aumento nas vendas em dias de jogo do Brasil na Copa nesses estabelecimentos comerciais.

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Os supermercados estão comemorando. Apesar das vendas em dias de jogo do Brasil ficarem abaixo do esperado para um dia normal após a realização da partida, momentos antes do jogo o movimento é grande. O aumento no consumo de cerveja, por exemplo, foi de 30% a 50%, já o da carne chega a 20%.

Vendas em dias de jogo do Brasil dependem do horário

Carnes (20%) e seus derivados (20%) também tiveram aumento nas vendas nos momentos anteriores aos jogos vespertinos do Brasil
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Carnes (20%) e seus derivados (20%) também tiveram aumento nas vendas nos momentos anteriores aos jogos vespertinos do Brasil

O movimento e até a escolha dos produtos, porém, também depende do horário da partida. E por um motivo muito óbvio.

Segundo o levantamento da Apas, quando o Brasil jogou às 15h, como na última partida da fase de grupos do Mundial na Rússia contra a Sérvia, na quarta-feira passada (27), o movimento nos supermercados ficou mais intenso cerca de duas a três horas antes do horário do jogo e os itens mais procurados seguiram sendo as cervejas e as carnes.

Já quando o Brasil jogou às 11h, como na partida contra o México válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo, na última segunda-feira (2), o movimento nos supermercados ficou mais concentrado na última hora antes da partida e a escolha foi por produtos mais típicos do café da manhã dos brasileiros como panificados, frios, sucos e laticínios, que têm altas de mais de 10% nas vendas.

“O curioso é que as vendas pós jogo se mantêm abaixo da média de um dia comum, demonstrando que os consumidores tendem a estocar produtos para não precisarem mais sair de casa”, explicou Thiago Berka, economista responsável pela área de Economia e Pesquisa da Apas. Ele também afirmou que "além disso, com a sinergia com as Festas Juninas e o fato de quase 92% das pessoas assistirem aos jogos em casa, a pipoca e o amendoim também são produtos de grande aumento no consumo."

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Além destes, as vendas de outros aperitivos também se destacam no período, sendo que linguiças, salames e bacon tiveram alta de até 20% na comercialização. Veja os itens com maior aumento de vendas nos dias de jogo do Brasil:

  • Cerveja : de 30 a 50%
  • Amendoim: 25%
  • Pipoca: 25%
  • Carne : 20%
  • Aperitivos derivados de carne (linguiça, salame, bacon, etc): 20%
  • Panificados: 10%
  • Frios: 10%
  • Sucos: 10%
  • Laticínios: 10%

Supermercados comemoram, varejistas lamentam

Supermercados, bares, restaurantes e padarias comemoram alta nas vendas em dia de jogo do Brasil enquanto lojas de vestuário, móveis e eletrodomésticos lamentam quedas de mais de 30%
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Supermercados, bares, restaurantes e padarias comemoram alta nas vendas em dia de jogo do Brasil enquanto lojas de vestuário, móveis e eletrodomésticos lamentam quedas de mais de 30%

O aumento nas vendas nos supermercados constatado pela Apas dialoga com uma pesquisa realizadas nas capitais brasileiras pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) que projetou que cerca de 60 milhões de consumidores brasileiros deveriam gastar com produtos ou serviços relacionados à Copa do Mundo e movimentar mais de R$ 20 bilhões na economia nacional .

A pesquisa já antecipava que os supermercados seriam os maiores beneficiados com os gastos durante o mundial, justamente porque a maioria das pessoas estava planejando assistir os jogos na própria casa ou na casa de amigos. Segundo o levantamento que entrevistou 1.061 pessoas de ambos os gêneros, de todas as classes sociais, acima dos 18 anos e em todas as capitais do país, apenas 25% disseram que não devem consumir produtos ligados à Copa do Mundo.

Dessa forma, entre os 843 entrevistados que pretendiam acompanhar o mundial, 74% afirmaram que gastariam com cerveja e 72% com refrigerantes. E para acompanhar, 56% disse que compraria tira-gostos, 37% pipoca, 39% salgados e 49% itens para churrasco.

De maneira mais direta ainda, 68% dos consumidores afirmaram que pretendiam gastar dinheiro nos supermercados. Para se ter uma ideia, os estabelecimentos que chegaram mas perto da liderança isolada dos mercados foram as lojas de rua (35%) e os camelôs (28%) que também morderiam uma fatia dos R$ 20 bilhões que o Mundial deveria ajudar a movimentar na economia nacional. A média de gastos desse grupo de pessoas, inclusive, seria de R$ 119.

Porém, se não faltam motivos para sorrir entre os supermercadistas, outros varejistas estão se lamentando profundamente. Isso porque segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), as vendas no varejo de modo geral recuaram 14,3% na manhã de segunda-feira (2) justamente por causa do jogo entre Brasil e México pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

Esse índice é calculado com base nas operações feitas com as máquinas de cartão de crédtio da Cielo, mas envolvem um modelo matemático que faz uma estimativa e considera também as operações das máquininhas concorrentes e de outros meios de pagamento como dinheiro, cheque, etc. 

A Cielo ainda divulgou que nas partidas anteriores também houve queda de 24,5% (no jogo contra a Sérvia), de 19,8% (no jogo contra a Costa Rica) e de 24,7% (na estreia contra a Suíça). Segundo ela, os setores mais prejudicados foram o das lojas de móveis e de eletrodomésticos, com redução de 31,5% nas vendas, e das lojas de vestuário, com queda de 31,1%.

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Os bares, porém, também tem motivos para comemorar: eles tiveram avanço de 42% na geração de receita no período, assim como as padarias que apresentaram crescimento de 20,2% nas vendas em dias de jogo do Brasil na Copa. Uma estimativa que também já tinha sido confirmada pela pesquisa da SCPC e da CNDL que estimou que 62%, dos brasileiros também procurariam bares ou restaurantes para assistir pelo menos um jogo da Copa e estariam dispostos a gastar um pouco mais: em média, R$ 128.

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