RIO — O aumento no volume de operações de compra e venda de ações da Oi na Bolsa de São Paulo, a B3 , em agosto, levantou suspeitas do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). O promotor Leonardo Marques pediu à Justiça que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) esclareça se identificou aumento no volume de negociações day trade envolvendo os papéis da empresa de telefonia, que está em recuperação judicial.

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Operações de  day trade  são caracterizadas pela velocidade na qual elas são feitas. Ações são compradas e vendidas em um mesmo dia. O que a Justiça deseja saber é se estas negociações foram feitas a partir do uso de informações privilegiadas, prática conhecida como insider trading .

"Queremos investigar se está havendo especulação das ações da Oi com base em insider trading",  explica o promotor Marques.

No documento que enviou à Justiça, o promotor destaca que o MPRJ está acompanhando "com enorme preocupação" a situação da operadora de telefonia.

Ele elenca quatro fatores que chamaram a atenção da Justiça : o aumento das remunerações dos membros do Conselho de Administração; a tentativa do Conselho de conseguir autorização para a venda de qualquer ativo da companhia ou para realizar quaisquer operações de reorganização societária sem autorização judicial ou anuência dos credores; a divulgação de fatos sobre a companhia, alguns deles sigilosos; e o aumento "inexplicável" das negociações envolvendo ações da Oi.

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"Qualquer desses fatores, isoladamente, já seria preocupante. Contudo, reunidos, exigem uma atuação mais firme dos órgão de controle e daqueles responsáveis pela fiscalização do processo judicial de reestruturação", escreveu o promotor em seu parecer.

Procurada, a Oi disse que não comentaria o caso. Por nota, a CVM destacou que "acompanha e analisa informações e movimentações envolvendo companhias abertas, tomando as medidas cabíveis, sempre que necessário", mas ressaltou que não comenta casos específicos.

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