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Comissão de Valores Mobiliários suspende oferta de R$ 3 bilhões em debêntures da estatal após fala de diretora em um canal do Youtube

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Divulgação/Petrobras
Petrobras tenta reverter decisão que impede oferta de R$ 3 bilhões; crédito seria usado para investimentos em exploração e produção de petróleo

A Petrobras disse, em nota, que "está tomando as medidas cabíveis para  reverter " a suspensão pela Comissão de Valores Mobiliários ( CVM ) de uma oferta de R$ 3 bilhões em debêntures (títulos de crédito oferecidos ao mercado) que visa  financiar atividades de exploração e produção de petróleo e fortalecer seu caixa.

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A CVM anunciou na última sexta-feira (30) a suspensão por até 30 dias da transação , alegando que a estatal infringiu a  regra de silêncio , que estabelece que empresas e instituições envolvidas em ofertas públicas devem se abster de manifestação na mídia sobre a operação ou a ofertante até sua conclusão.

O movimento da reguladora de mercado veio após a diretora-executiva de Finanças e Relacionamento com Investidores da Petrobras, Andrea Almeida, ter participado na terça-feira anterior de uma entrevista transmitida ao vivo pelo YouTube realizada pela XP Investimentos, uma das coordenadoras da oferta.

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Em comunicado na noite de sexta-feira, a Petrobras disse que tentará retomar a oferta e que "está avaliando as consequências no cronograma", prometendo manter o mercado "devidamente informado sobre ajustes que se fizerem necessários".

A companhia ainda esclareceu que "investidores que já tenham aderido à oferta, se assim desejarem, terão o prazo de cinco dias úteis para desistir do investimento ".

Durante a entrevista a analistas da XP, a executiva da Petrobras comentou as estratégias da atual gestão da empresa e, ao fim, recomendou a investidores que comprem ações da companhia, projetando boas perspectivas à frente.

"Eu acho que a gente tem uma oportunidade brilhante aí no mercado...comprem a ação", afirmou Almeida, citando ainda acreditar que a petroleira vai cumprir as metas do seu plano estratégico.

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Em seu comunicado, a Petrobras destacou que "o investidores deve basear sua decisão de investimento na documentação da oferta" e em informações divulgadas pela companhia ao mercado, "desconsiderando informações por parte de seus representantes".

Segundo a companhia, esse comentários "podem conter impressões pessoais não adstritas a aspectos técnicos e sem apresentar aos potenciais investidores os riscos inerentes aos valores mobiliários emitidos".

A emissão de debêntures foi aprovada pelo conselho da Petrobras no final de julho. A emissão prevê até três séries, com vencimento em setembro de 2029, setembro de 2034 e setembro de 2026.

Procurada, a XP afirmou que "apesar de entender que o período de silêncio foi observado, está analisando as exigências que foram feitas pela CVM para que as mesmas sejam cumpridas imediatamente e não prejudiquem o andamento da oferta."

"A XP reforça o entendimento de que foram divulgadas somente informações habituais pela emissora, no curso normal dos seus negócios", acrescentou a corretora.