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Estatal boliviana tem hoje 12% do Gasoduto e quer ter participação majoritária; Intenção é aumentar influência no mercado de gás brasileiro

 Após a Petrobras assinar um acordo com o Cade para vender suas participações em ativos de gás no Brasil, a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB ) mostrou interesse em ampliar sua fatia no Gasoduto Brasil- Bolívia (GasBol). A estatal boliviana tem 12% das ações da Transportadora Brasileira Gasoduto Brasil-Bolívia (TBG), empresa dona do GasBol.  A empresa brasileira tem 51% das ações.

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De acordo com comunicado do Ministério de Hidrocarbonetos da Bolívia, a intenção de participar do processo de licitação para adquirir uma fatia maior no gasoduto da Petrobras é para "aumentar a sua influência no mercado de gás brasileiro". 

Luis Alberto Poma Calle,  gerente de Regulação da TBG, disse em nota que uma maior presença no Brasil vai permitir que a empresa boliviana negocie gás natural diretamente com empresas de distribuição e indústrias privadas na região Sudeste do Brasil. "Assim, vamos evitar a intermediação de terceiros para vender gás", disse Calle.

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Ele ainda destacou, no entanto, que a saída da estatal brasileira   no GasBol "não significa que o Brasil reduzirá os volumes de compra de gás da Bolívia". O gasoduto tem 3.150 quilômetros de extensão. Desse total, 82% estão localizados em território verde e amarelo. O gasoduto iniciou suas operações há 20 anos e tem uma capacidade para transportar 32,8 milhões de metros cúbicos por dia.

Segundo o executivo, a compra de ações no gasoduto representa uma "oportunidade de mercado que permitiria fortalecer seu plano de expansão e internacionalização em nível continental".

Segundo uma fonte do setor que participa do projeto de venda de ativos da estatal brasileira, o interesse da empresa boliviana em aumentar sua participação no gasoduto é natural. Para ele, pelo acordo atual de acionistas na TBG, o sócio atual tem prioridade na compra de ações que estão hoje na mão da Petrobras (de 51%). O resto das ações são de holdings controladas pelas empresas.

"A YPFB tem hoje um grande conhecimento sobre o ativo, pois é ela quem gerencia  toda a parte do gasoduto na Bolívia. Para a empresa, a aquisição vai aumentar sua sinergia e altos ganhos financeiros, já que não há necessidade de investimentos no ativo", disse essa fonte.

Bolívia quer ir além de gasoduto

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Geraldo Kosinski/Petrobras
Refinaria da Petrobras

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Álvaro García Linera, vice-presidente da Bolívia, disse a jornais de seu país, que a YPFB pode ser acionista majoritária, papel da Petrobras atualmente, no gasoduto. Ele revelou ainda planos mais ousados para o Brasil que vão além de um maior investimento no GasBol. Segundo ele, a YPFB tem valor de US$ 15 bilhões e está se internacionalizando. "Também queremos ser acionistas de termelétricas e uma fábrica de ureia com a YPFB no Brasil", disse Linera.