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Mesmo com a taxa básica de juros no menor nível da história, não há redução significativa da concentração e dos juros aplicados pelos bancos. Confira

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central
Pedro França/Agência Senado - 26.2.19
Cinco maiores conglomerados bancários concentraram 84,8% do mercado de crédito do Brasil em 2018, diz Banco Central

Os cinco maiores bancos do País concentraram, ao final do ano de 2018, 84,8% do mercado de crédito no Brasil. Itaú-Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Santander fecharam 2018, ainda, com 83,8% dos depósitos totais, segundo informou o Banco Central (BC) nesta terça-feira (28), por meio do relatório de Economia Bancária.

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O cálculo engloba os bancos comerciais, os múltiplos com carteira comercial e as caixas econômicas. Os dados estão disponíveis no Relatório de Estabilidade Financeira do segundo semestre do ano passado. Segundo o BC, foi registrada leve queda em relação à concentração bancária do fechamento de 2017, quando os cinco maiores bancos detinham 85,8% de todas as operações de crédito e 85% dos depósitos bancários.

O BC já havia informado anteriormente que a rentabilidade dos bancos brasileiros encerrou o ano passado no maior patamar em sete anos e atingindo o recorde da série histórica, iniciada em 1994, com lucro líquido total de R$ 98,5 bilhões em 2018.

Mesmo com a taxa básica de juros, a Selic , em sua mínima histórica, 6,5%, não há redução significativa da concentração e dos juros bancários. Em março deste ano, os juros do cheque especial e do cartão de crédito voltaram a subir. No primeiro caso, a taxa subiu de 317,9% ao ano, em fevereiro, para 322,7% ao ano, no terceiro mês de 2019. Já os juros do cartão de crédito passaram de 295,5% ao ano, em fevereiro, para 299,5% ao ano, em março, na quinta alta consecutiva.

O economista Roberto Campos Neto , presidente da instituição, afirma, no entanto, que o sistema bancário brasileiro não é mais “concentrado” do que em outras economias desenvolvidas, salientando que os bancos do país também são competitivos.

O ministro da Economia, Paulo Guedes , contudo, disse que o Brasil é incapaz de mobilizar riquezas por possuir "200 milhões de patos, três empresas de energia, seis bancos, uma empresa de petróleo, e quatro empreiteiras", o que ele sustenta que "é um erro". "O pais é riquíssimo, basta deixar ele funcionar", defendeu. Guedes, diferentemente do chefe do BC, tem uma agenda que se foca na abertura e concorrência na economia brasileira.

BC  sustenta que, comparando os períodos 2000-2008 (pré-crise financeira global) e 2009-2018 (pós-crise), houve aumento do grau de concorrência entre instituições financeiras. "Esse movimento ocorreu apesar do aumento da concentração ocorrida no período, tanto pelo crescimento orgânico mais rápido de instituições financeiras mais eficientes, quanto por atos de concentração (como fusões e compras). Em 2017 e 2018, os indicadores ficaram relativamente estáveis na comparação com 2016", diz o relatório da instituição.

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O documento defende, ainda, que as instituições financeiras de grande porte, apesar de possuírem participação significativa no mercado de crédito, operam com "mark-up" [marcação de preço] sobre o custo marginal menor do que as outras instituições.