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Com demissão de funcionários, cancelamento de voos, redução de frota e dívida de R$ 3 bilhões, a empresa busca vender ativos e evitar falência; veja

Avião da Avianca
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Saiba o que muda após cancelamento do leilão da Avianca, que estava marcado para esta terça

O leilão da Avianca, que seria realizado nesta terça-feira (7), foi cancelado, mesmo sendo considerado essencial para que a empresa, em recuperação judicial desde dezembro do ano passado, pague seus credores e mantenha suas operações. Com o destino incerto, também não está claro o que vai acontecer com as pessoas que já têm passagens da empresa compradas, caso a aérea não consiga concluir seu processo de recuperação judicial e acabe decretando falência.

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Com uma dívida de R$ 3 bilhões, a Avianca já demitiu ao menos cem funcionários, cancelou mais de três mil voos e perdeu 86% de sua frota. A separação das Unidades Produtivas Isoladas (UPIs) e a venda de ativos buscava, nesta terça-feira, iniciar a reconstrução e evitar a falência.

Se não houver o leilão, a Avianca pode decretar falência?

Isso ainda depende de outros fatores. Primeiro, a empresa pode fazer novas tentativas de leilões. A falência só acontece se não houver acordo entre os credores da companhia em uma eventual nova assembleia. Neste caso, a Justiça pode decretar falência em algum dos processos movidos contra a empresa. 

Em caso de falência, o que acontece com clientes que têm passagem comprada?

Não há consenso sobre essa questão entre os especialistas. Para advogados, neste caso, as companhias aéreas devem seguir os mesmos procedimentos que ocorrem quando há cancelamentos de voos, segundo norma da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Por lei, a empresa deve reembolsar os passageiros de voos cancelados ou reacomodá-los em outras companhias. Os Procons estão buscando junto à Anac um entendimento para dar garantias que o consumidor consiga voar. Na avaliação desses órgãos de defesa do consumidor, se não houver acordo com o mercado, há risco de os passageiros terem que se habilitar a receber créditos da massa falida.

Se o leilão for feito nos próximos dias, isso muda alguma coisa para quem já comprou passagem?

A princípio, não. Se você comprou passagem para uma das rotas já desativadas pela Avianca, terá de entrar em contato com a empresa para reacomodar o voo em outra companhia ou pedir o reembolso. Essa situação em nada muda se a Avianca for vendida para alguma concorrente. Se sua passagem foi comprada para algum voo que ainda está na malha da Avianca, também não há alteração após o leilão. A companhia que comprar a empresa vai manter os voos. 

O que vai acontecer com a Avianca após o leilão?

A empresa será fatiada em sete "mini-Aviancas". Uma delas ficará com o programa de fidelidade da Avianca, o programa Amigo. As demais vão reunir parte dos chamados slots (autorização de pousos e decolagens), além de funcionários da empresa e aviões, de modo que quem comprar cada uma dessas unidades vai operar os voos de cada uma delas.

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E se a Avianca "quebrar" antes de concluir a migração de seus aviões para quem vencer o leilão?

A expectativa é que a empresa faça essa migração até o fim de julho. Pelas regras da lei de recuperação judicial, esse bastão deve ser passado com a companhia em funcionamento. Se a empresa parar antes, credores, a Anac e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) podem questionar a validade do leilão.