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Presidente segurou aumento no preço do diesel que deveria acontecer nesta sexta-feira; questionado, ele disse que não entende de economia. Confira

Presidente Jair Bolsonaro
MARCOS CORRÊA/ PR
Ações da Petrobras despencaram após Bolsonaro segurar preço do diesel, que sofreria reajuste nesta sexta-feira (12)


As ações da Petrobras operam em forte queda na tarde desta sexta-feira (12), no primeiro dia após a intervenção do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na política de preços da empresa. Na noite de quinta-feira (11), Bolsonaro determinou que o preço do diesel, previsto para subir 5,74%, não sofresse alteração .

Às 16h45, as ações ordinárias da Petrobras (que tem direito a voto em assembleia) operavam em queda de 8,48%, enquanto as ações preferenciais (que têm prioridade na distribuição de dividendos) caíam  8,32%.

Mais cedo, Bolsonaro admitiu que telefonou para o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, quando soube do aumento no valor do combustível. Com a intervenção no preço do diesel , o mercado financeiro ficou receoso com possíveis próximas ações do governo dentro da empresa.

A política de fazer alterações nos preços dos combustíveis acontecia durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff . O vice-presidente, Hamilton Mourão, disse que tem "absoluta certeza de que ele não vai praticar a mesma política da ex-presidente Dilma Rousseff no tocante à intervenção do preço do combustível e da energia", e avaliou que "toda decisão tem fatores positivos e negativos".

Em entrevista, Bolsonaro também lembrou a conduta de Dilma e aproveitou para alfinetá-la: "Não sou economista, já falei que não entendia de economia ", afirmou, completando que  "quem entendia [de economia] afundou o Brasil". A declaração foi feita na inauguração do novo aeroporto da capital Macapá, em sua primeira visita ao Amapá.

Mourão ainde defendeu o presidente e disse que prática intervencionista foi questão "pontual" e um "fato isolado". Quando perguntado sobre a possível contradição entre a intervenção na Petrobras e a autointitulação do governo como liberal, o vice-presidente respondeu que "em tese é [uma contradição]. Agora como eu respondi os fatos que chegaram ao conhecimento do presidente não são do meu domínio portanto eu acredito no bom senso dele e que tomou essa decisão buscando o bem maior."

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