As marcas de roupas de luxo Animale e A.Brand passaram a compor, nesta quarta-feira (3), a 'lista suja' do trabalho escravo. Divulgada pelo Mnistério da Economia, a lista atualizada traz 48 novos nomes de empregadores.
Leia também: Via Veneto e fabricante da Coca-Cola entram na ‘lista suja’ do trabalho escravo
Essa é a primeira 'lista suja' do trabalho escravo publicada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro. As 48 novas empresas que integram o documento foram fiscalizadas entre os anos de 2014 e 2018.
Grandes e famosas marcas já entraram na lista, como
Zara
e M.Officer
. No total, o relatório une 187 empregadores flagrados com a exploração de mão de obra análoga à escravidão
. Confira a lista atualizada completa
.
Relembre o caso da Animale
Em dezembro de 2017, a ONG (Organização Não-Governamental) Repórter Brasil encontrou trabalhadores de três oficinas das marcas Animale e A.Brand , pertencentes ao Grupo Soma, em situação de escravidão.
Na época, foi costatado que os costureiros cumpriam jornadas superiores a 12 horas diárias, além de dormirem nos locais de trabalho, onde foram encontradas baratas e instalações elétricas que ofereciam risco de incêndio.
O pagamento desses funcionários era feito por peça produzida. Eles recebiam, em média, R$ 5 por cada produto finalizado. Nas lojas de luxo
, as mesmas peças chegavam a ser vendidas por até R$ 698.
A grife tem "luxo e sofisticação" como lema e possui mais de 80 lojas em todo o Brasil - a maioria encontrada em shoppings de alto padrão. Na época, a empresa disse que suas marcas "não compactuam com a utilização de mão de obra irregular em suas cadeias de produção" e que o episódio se tratava de um "episódio isolado, no qual a fornecedora subcontratou os serviços sem o consentimento das marcas e descumpriu veementemente a cláusula 8 do contrato de prestação de serviço."
Café Fazenda Cedro
Ao lado da Animale, outra nova integrante da ' lista suja ' é o produtor da Fazenda Cedro II, em Minas Gerais, que comercializa o Café Fazenda Cedro . Segundo a ONG, na fazenda produtora da marca, foram encontrados, em julho de 2018, seis trabalhadores com jornadas exaustivas e em condições de higiene consideradas degradantes nos alojamentos
Como funciona a 'lista suja'
Antes de entrarem para a 'lista suja', as empresas podem tentar defesa em duas instâncias no Ministério da Economia, que agora compõe o antigo Ministério do Trabalho. Depois de colocadas na lista, as marcas ficam ali por dois anos e, após o período, são colocadas em uma segunda lista, "de observação", por outro ano.
Leia também: Fazenda de café certificada pela Starbucks é flagrada com trabalho escravo
Caso a marca cumpra todos os compromissos com a Justiça, consegue sair depois desse um ano da lista do trabalho escravo .