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Imigrantes bolivianos também produziam peças para a A.Brands e ganhavam R$ 5 em roupas que chegavam a ser vendidas por R$ 698 nas lojas das marcas

Com inclusão de Animale e A.Brands, sobe para 37 o número de marcas envolvidas em casos de trabalho escravo no Brasil
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Com inclusão de Animale e A.Brands, sobe para 37 o número de marcas envolvidas em casos de trabalho escravo no Brasil

Trabalhadores de três oficinas que produzem roupas para as marcas Animale e A.Brand, pertencentes ao Grupo Soma, foram encontrados em situação análoga à escravidão por uma equipe da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego e auditores da Receita Federal. Imigrantes bolivianos, os costureiros cumpriam jornadas superiores a 12 horas diárias na região metropolitana de São Paulo.

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O pagamento dos trabalhadores era feito por peça produzida. Eles recebiam, em média, R$ 5 por cada produto finalizado. Nas lojas da Animale e A.Brand, as mesmas peças chegavam a ser vendidas por até R$ 698, de acordo com os fiscais do trabalho que encontraram os bolivianos. A operação foi realizada no mês de setembro.

Também de acordo com os fiscais que participaram da investigação, as máquinas de costura eram posicionadas ao lado das camas em que os trabalhadores dormiam. Além disso, crianças brincavam no local, entre as máquinas e as pilhas de tecidos. 

Agora, com a inclusão das marcas, a lista de grifes envolvidas em casos de trabalho escravo aumentou para 37, segundo dados da ONG Repórter Brasil. As empresas se defenderam por meio de nota publicada nas redes sociais. Confira na íntegra: 

A A.Brand e a Animale esclarecem que receberam a visita de Auditores Fiscais do Trabalho, informando que foram encontrados trabalhadores em condições degradantes em três oficinas onde se encontravam produtos das marcas sem o conhecimento das mesmas.

As marcas não compactuam com a utilização de mão de obra irregular em suas cadeias de produção. Todos os seus fornecedores assinam contratos em que se comprometem a cumprir a legislação trabalhista vigente e a não realizar a contratação de trabalhadores nessas condições.

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O caso em questão retrata um episódio isolado, no qual a fornecedora subcontratou os serviços sem o consentimento das marcas e descumpriu veementemente a cláusula 8 do contrato de prestação de serviço:

“Cláusula 8 – Fica proibido que a CONTRATADA utilize, para a prestação de serviços objeto do presente, direta ou indiretamente, mão de obra infantil, escrava, em condições análogas à escravidão, ou em condições sub-humanas, devendo garantir a seus empregados e contratados remuneração compatível com o piso salarial da categoria, jornadas e condições de trabalho conforme legislação em vigor.” 

As marcas lamentam que tenham sido associadas aos tristes fatos, pelo descumprimento da legislação trabalhista por parte de um fornecedor e reiteram que não compactuam com a utilização de mão de obra irregular. Ressaltam ainda, que em hipótese alguma, tiveram contato com os referidos trabalhadores via whatsapp ou qualquer outro meio de comunicação bem como sequer sabiam da existência das referidas oficinas.

As marcas esclarecem que os valores pagos aos fornecedores diretos são exponencialmente superiores aos cinco reais relatados nos meios de comunicação.

Mesmo assim, sensibilizadas pela situação, antes mesmo de receber qualquer evidência e sem assumir responsabilidades trabalhistas pelos fatos apontados, as marcas realizaram uma significativa ajuda humanitária aos profissionais, o que foi imediatamente aceito pelo Ministério do Trabalho. As marcas já tomaram as medidas necessárias para tornar ainda mais rigorosa a fiscalização de sua cadeia produtiva e, por fim, informam que estão colaborando com as autoridades responsáveis pelas investigações.

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A publicação da nota foi feita nas páginas do Facebook de ambas as grifes. Além de Animale e A.Brand, o Grumo Soma também é composto por outras quatro marcas de roupas: Farm, Fábula, FYI e Foxton. 

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