Tamanho do texto

Referente aos dividendos da empresa, montante equivale a cerca de R$ 6 bilhões; negócio ainda precisa da aprovação do presidente Jair Bolsonaro

Divulgação/Embraer
"A parceria vai fortalecer as possibilidades de mercado [das empresas]", disse o vice-presidente financeiro da Embraer

A Embraer deve distribuir US$ 1,6 bilhão (cerca de R$ 6 bilhões) em dividendos aos seus acionistas assim que finalizar o processo de fusão com a norte-americana Boeing. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (16) por Nelson Salgado, vice-presidente financeiro da empresa brasileira, durante um evento na Bolsa de Nova York (EUA).

Leia também: Governo não pensa em interromper fusão entre Embraer e Boeing, diz ministro

“Nossa ideia é distribuir US$ 1,6 bilhão em dividendos especiais aos acionistas assim que a transação for concluída”, revelou Salgado. “[A aliança entre Embraer e Boeing] É uma companhia que começa com US$ 1 bilhão de fluxo de caixa líquido e acionistas recebendo US$ 1,6 bilhão em dividendos.”

Pela manhã, em comunicado enviado ao mercado, a Embraer já havia confirmado a distribuição dos dividendos, que seria condicionada “à confirmação de determinados requisitos, inclusive o resultado do exercício social”.

O vice-presidente financeiro da empresa brasileira ainda defendeu que as duas companhias, depois de unidas, serão mais fortes e capazes de crescer mais rápido. "[São anos] De história e legado na indústria, o que é muito. Olhando para a aviação comercial, a parceria vai fortalecer muito as possibilidades de mercado e penetração dos jatos E2”, opinou.

Termos do acordo

O negócio, mesmo já acordado entre Embraer e Boeing, ainda precisa da validação do presidente Jair Bolsonaro (PSL)
Divulgação/Boeing
O negócio, mesmo já acordado entre Embraer e Boeing, ainda precisa da validação do presidente Jair Bolsonaro (PSL)

Em julho do ano passado, Embraer e  Boeing  assinaram um acordo de intenções para formar uma aliança – ou   joint venture  – na área de aviação comercial. Nos termos do contrato firmado, a fabricante norte-americana de aviões deteria 80% do negócio e a empresa brasileira, 20%. 

As áreas de aviação executiva, defesa e segurança, porém, seguem sob o controle totalitário da empresa brasileira. O acordo ainda prevê a possibilidade de a Embraer vender os 20% que deterá na NewCo, a nova empresa responsável pela produção da atual linha de jatos regionais e pelo desenvolvimento de novos modelos.

Leia também: Bolsonaro diz que Embraer é patrimônio e cobra mudanças em acordo com Boeing

Além disso, também será criada uma joint venture específica voltada para a venda de novos contratos do cargueiro militar KC-390, um dos produtos mais promissores da Embraer no setor. Desta nova empresa, 51% pertencerão à Embraer e os outros 49% restantes, à Boeing.

O negócio, mesmo acordado entre as duas companhias, ainda precisa do aval do presidente Jair Bolsonaro (PSL) para ser validado. Isso porque a União é dona de uma participação qualificada na Embraer, a chamada  golden share , um tipo específico de ação que dá poder de veto em decisões estratégicas ao seu detentor.

Protestos

O PDT, partido do ex-presidenciável Ciro Gomes, entrou com uma ação na Justiça contra o acordo entre Embraer e Boeing
Divulgação/PDT
O PDT, partido do ex-presidenciável Ciro Gomes, entrou com uma ação na Justiça contra o acordo entre Embraer e Boeing

Na semana passada , o Partido Democrático Trabalhista (PDT) entrou com uma ação na Justiça Federal de Brasília contra o trecho do acordo entre Embraer e Boeing que diz respeito à venda da divisão comercial da fabricante brasileira. Em nota, o presidente da legenda, Carlos Lupi, defendeu que a fusão traz "risco à soberania nacional".  

Os autores da ação argumentam que o acordo causa "dano ao patrimônio público e desrespeito à ordem econômica". Para os pedetistas, há "omissão da União Federal em relação ao exercício dos privilégios decorrentes da detenção de  golden share " da empresa brasileira.

A posição do PDT endossa a crítica feita pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos em meados de dezembro . Para a entidade, o negócio também afeta a soberania nacional e "entrega" um projeto brasileiro, o cargueiro militar KC-390, aos norte-americanos. "Os Estados Unidos não dão nada de graça para a gente, por que vamos fazer isso?”, contestou Hebert Carlos, representante sindicalista da Embraer .

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.