Cashback pode ser tentador, mas quase nunca oferece o melhor retorno
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Cashback pode ser tentador, mas quase nunca oferece o melhor retorno

Quem procura um cartão de crédito  hoje provavelmente vai se deparar com duas promessas muito diferentes: cashback ou acúmulo de pontos e milhas.

De um lado, bancos que oferecem imediatamente uma parte dos gastos de volta para o cliente. Do outro, cartões focados em programas de pontos, normalmente associados a viagens e benefícios premium.

A comunicação sobre esses produtos costuma tratar os dois modelos como se fossem quase opostos. Ou o consumidor recebe cashback, ou acumula milhas.

Essa separação, entretanto, é mais publicitária do que prática.

No fim, cashback, pontos e milhas funcionam a partir da mesma lógica: devolver parte do dinheiro gasto no cartão de crédito.

O que muda é a forma como esse retorno chega ao usuário — e quanto esforço será necessário para transformar aquilo em benefício real.

É uma diferença que ajuda a explicar por que os bancos começaram a dividir seus cartões em categorias muito claras.

Algumas versões priorizam retorno imediato, normalmente em dinheiro, crédito na fatura ou saldo investido automaticamente. Outras continuam apostando em acúmulo de pontos e transferências para programas de companhias aéreas e redes de hotéis, basicamente.

O Itaú, por exemplo, oferece cartões que trabalham com cashback em determinadas linhas, enquanto outros produtos mantêm foco em pontuação e transferência para parceiros.

O Inter segue caminho parecido: transformou o cashback em um dos pilares da conta digital, mas continua permitindo que clientes utilizem o Inter Loop para acumular pontos.

A mudança parece menos ligada ao valor do benefício em si e mais ao comportamento do consumidor.

Por que cartões com cashback parecem mais vantajosos

Se um cartão devolve 1% dos gastos, a conta é imediata: quem gastou R$ 1.000 recebeu R$ 10 de volta. O benefício aparece rapidamente na conta, na fatura ou em alguma carteira de investimento vinculada ao banco.

Já os programas de pontos funcionam de maneira menos direta.

Os gastos viram pontos; os pontos podem virar milhas; e as milhas, finalmente, podem ser convertidas em passagens, hospedagens ou outros benefícios.

Nesse processo, o valor da recompensa deixa de ser fixo.

Dependendo da forma como os pontos são utilizados, o retorno pode ser muito superior ao cashback tradicional. Isso acontece, principalmente, em estratégias que envolvem transferências bonificadas e emissões mais vantajosas, situações em que o valor daquele ponto é multiplicado, como já tratamos aqui na coluna.

É justamente por isso que usuários mais experientes do universo de milhas costumam dizer que pontos “mal utilizados” podem valer menos do que um cashback simples.

Programas de fidelidade exigem participação ativa. É preciso acompanhar promoções, esperar bônus de transferência, entender parceiros aéreos e buscar emissões vantajosas. Isso sem contar, é claro, nas compras bonificadas.

Sem isso, muitos consumidores acabam utilizando os pontos da maneira mais simples possível: compras de produtos no varejo, abatimento na fatura ou conversões pouco eficientes.

E talvez seja exatamente esse o motivo da ascensão do cashback nos últimos anos.

Os bancos perceberam que boa parte dos clientes não quer maximizar retorno. Quer apenas perceber vantagem sem precisar aprender o funcionamento do sistema.

Nesse cenário, o cashback resolve um problema importante, pois elimina a complexidade.

O consumidor não precisa entender tabelas de programas de fidelidade das companhias aéreas, regras de transferência ou campanhas promocionais para sentir que o cartão está devolvendo alguma coisa.

Isso ajuda a explicar por que tantas instituições passaram a destacar dinheiro de volta nas campanhas de cartões, inclusive em categorias premium. Não porque o cashback necessariamente supere o potencial das milhas, mas porque ele transforma um benefício complexo em algo imediatamente perceptível.

A disputa entre cashback e pontos talvez não seja exatamente sobre qual modelo devolve mais dinheiro.

Ela parece muito mais ligada a outra questão: quanto esforço cada pessoa está disposta a fazer para transformar gastos do dia a dia em benefício real.

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