Cartão é aliado, mas não é a principal forma de acumular milhas
Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
Cartão é aliado, mas não é a principal forma de acumular milhas

Acumular milhas em programas de fidelidade para fazer aquela viagem dos sonhos parece algo distante para muita gente, mas não é. Com a estratégia certa, é possível garantir os pontos necessários para emitir passagens aéreas apenas com os gastos do dia a dia.

Para te ajudar, separei os dez erros mais frequentes que atrapalham quem está começando nesse universo. 

1. Focar apenas no acúmulo pelo cartão

O cartão de crédito, na grande maioria dos casos, não é a forma mais eficiente de gerar milhas.

Ele funciona como uma base, mas existem estratégias muito mais intensas de acúmulo, especialmente as compras bonificadas e promoções que multiplicam pontos por real gasto.

Em algumas campanhas, é possível gerar 10, 15 ou até mais pontos por real, algo que mesmo um cartão que pontua muito bem não consegue acompanhar.

2. Usar um cartão que não pontua ou pontua pouco

Ainda que o cartão de crédito não seja a melhor forma de juntar pontos, é bom poder contar com essa ferramenta também. 

Muita gente não sabe exatamente o que o próprio cartão oferece, ou simplesmente não usa os pontos que tem.

Outro comportamento comum é o apego ao banco. A pessoa mantém o cartão por hábito ou conveniência, mesmo quando ele não gera retorno relevante.

Isso aparece com frequência em clientes do Nubank, por exemplo. A experiência é simples e funciona bem, mas o acúmulo é inexistente para clientes que não são Ultravioleta.

O ponto central é entender o próprio perfil de gasto e, a partir disso, escolher um cartão adequado. Caso contrário, você está abrindo mão de retorno sem perceber.

3. Desconhecer o valor real da milha e para que serve cada programa

Cada programa de fidelidade tem um valor diferente, e isso depende do que você consegue fazer com os pontos.

Uma forma simples de entender é comparar moedas. Assim como o dólar tem mais poder de compra que o real, existem programas em que a milha vale mais.

Se você pode gerar pontos em dois programas com esforço semelhante, mas um deles entrega mais valor na hora do resgate, a escolha deveria ser óbvia.

Um exemplo é o acúmulo de pontos Avios no Iberia Plus, que tende a ser mais vantajoso do que acumular milhas no TudoAzul, mesmo quando a geração é equivalente.

Sem essa referência de valor, a decisão vira tentativa (e muitas vezes erro).

4. Emitir passagem sem comparar com o valor em dinheiro

Toda milha tem dois parâmetros: o custo de geração e o valor de mercado.

O erro comum é ignorar o valor de mercado, especialmente quando os pontos foram acumulados de forma orgânica, como no uso do cartão.

Mas mesmo nesses casos, a milha tem valor. Usar sem comparar é como vender um ativo sem saber quanto ele vale.

A lógica deveria ser: quanto custa a passagem em dinheiro e quanto ela está custando em milhas, considerando o valor dessas milhas no mercado?

Se a passagem em dinheiro for mais barata, faz mais sentido pagar e guardar as milhas para outra oportunidade.

Em situações específicas, uma alternativa é emitir para para um parente ou amigo em vez de usar os pontos em um resgate ruim.

5. Ignorar as compras bonificadas

Esse é um dos pontos mais importantes e mais negligenciados.

Programas de fidelidade como Livelo, Esfera, TudoAzul e LATAM Pass, por exemplo, possuem lojas parceiras  que oferecem pontos por real gasto. Como estratégia de marketing, de tempos em tempos, esses estabelecimentos aumentam significativamente a pontuação. 

Em uma campanha de 17 pontos por real, por exemplo, uma compra de R$ 1.000 gera 17 mil pontos.

Para atingir esse mesmo volume com um cartão que pontua 2 pontos por dólar, seria necessário um gasto aproximado de US$ 8.500 — o que, na prática, equivale a algo próximo de R$ 40 mil.

A diferença de escala deixa claro por que essas oportunidades são mais relevantes do que o acúmulo tradicional no cartão.

Dependendo da oferta, com esses 17 mil pontos é possível emitir quatro ou mais trechos SP-Rio.

6. Transferir pontos fora das promoções

Transferir pontos sem bônus, na maioria dos casos, significa perder valor.

Programas de fidelidade frequentemente oferecem campanhas com 80%, 100% ou mais de bônus na transferência. Ignorar essas janelas reduz diretamente o potencial do acúmulo.

Além disso, existem promoções recorrentes. Um exemplo é o da Caixa, que costuma fazer campanhas no aniversário do banco com bônus elevados, acima de 100%.

Como essas oportunidades existem, transferir pontos fora delas é, na prática, aceitar menos pelo mesmo ativo.

Há exceções, especialmente em programas internacionais que não trabalham com bônus. Mas, fora desses casos, o critério deveria ser claro: buscar sempre o melhor momento de transferência.

Pense que os 17 mil pontos acumulados com a compra bonificada de R$ 1.000 virariam 35 mil pontos. É possível achar trechos promocionais para a Europa com isso!

7. Espalhar pontos em vários programas sem estratégia

Dividir pontos sem um objetivo claro compromete o resultado. Quando você pulveriza o acúmulo, perde escala. Sem escala, não consegue emitir passagens relevantes em nenhum programa.

Além disso, milhas expiram. E, uma vez dentro de um programa de companhia aérea, as possibilidades de movimentação ficam mais limitadas.

Existem exceções e estratégias específicas, mas, sem planejamento, a dispersão tende a virar desperdício.

8. Deixar os pontos expirarem por falta de controle

A maioria dos pontos tem validade, e não acompanhar isso gera perda direta.

Não administrar bem os programas de fidelidade pode fazer com que você tenha que gastar para reativar pontos expirados, caso deseje usá-los. 

Ter controle de datas e algum planejamento mínimo de uso evita que pontos acumulados ao longo de meses (ou anos) simplesmente desapareçam. 

Uma estratégia é transferir os pontos (quando houver essa possibilidade) para outro programa quando estejam perto de expirar, pois eles passam a valer por mais tempo no novo programa. 

9. Preferir um programa menos vantajoso sem critério

Nem todo programa de pontos entrega o mesmo valor, mas isso não significa que exista um “melhor” universal.

O erro está em escolher um programa menos vantajoso sem estratégia.

Se dois caminhos exigem o mesmo esforço de acúmulo, mas um deles tem tabelas melhores, mais parceiros ou maior poder de compra, a tendência é que ele entregue mais valor no resgate. Ignorar isso, por desconhecimento, reduz o retorno das milhas.

Agora, existem exceções claras.

Se você voa com frequência para um destino específico atendido por uma companhia, pode fazer sentido priorizar o programa dela, mesmo que, em tese, ele seja menos vantajoso. O mesmo vale para quem busca benefícios recorrentes, como upgrades, franquia de bagagem ou status.

Nesses casos, há uma estratégia por trás da escolha.

O problema é quando essa decisão não é consciente, e a pessoa acumula em um programa mais fraco simplesmente porque não conhece as alternativas ou não entende o valor de cada milha.

10. Trocar pontos em resgates ruins

Esse é, muitas vezes, o desfecho de quem não entende o valor da milha.

Programas de fidelidade oferecem uma série de opções de troca, mas a maioria é desvantajosa para o consumidor. O erro mais comum é usar pontos em produtos com baixo valor de retorno.

Um exemplo que a coluna encontrou foi um conjunto de potes herméticos no TudoAzul por cerca de 50 mil pontos. Os mesmos potes podem ser encontrados na internet por aproximadamente R$ 228.

Na prática, isso significa usar 50 mil pontos para “comprar” algo que vale pouco mais de R$ 200,  uma relação de troca extremamente desfavorável. Lembre-se que com cerca de 30 mil pontos é possível emitir um trecho para a Europa. 

Esse tipo de resgate esconde uma perda relevante de valor.

Milha funciona melhor quando usada em passagens, especialmente em emissões bem estruturadas. Fora disso, a conta precisa fechar. Caso contrário, o que parece um benefício vira prejuízo disfarçado.

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