A empresa precisa de investimentos expressivos
Sophia Bernardes
A empresa precisa de investimentos expressivos


Nosso prefeito (de São Paulo), Ricardo Nunes, é um homem pragmático. E isso às vezes nos surpreende. Na semana passada, ele declarou que a Prefeitura solicitou a  Enel a cassação da concessão para a exploração da distribuição da energia elétrica na cidade.


Frente ao caos dos últimos dias e a arrogância da Enel, ele fez o que se espera de um gestor. Inclusive, argumentou que os problemas vêm de antes.

Ele está certo, a Enel presta um péssimo serviço e merece ser substituída. Mas isso atrapalhou se aliando ao político, o nosso governador Capitão Tarcísio. Este vem tentando imprimir um ritmo de marcha forcada a privatização, mas a sua tropa não demonstra vitalidade.

Na Assembleia, estão apanhando feio do Coletivo as Pretas, que tem o mandato na deputada Monica Seixas, do PSOL. E merecem! Os bate-paus do governador tentam de toda forma atropelar o processo, perdendo o respeito da população e a chance de fazer uma discussão a fundo da Sabesp.

É fato que a crise da Enel trouxe um novo elemento ao debate: as mudanças climáticas. E isso vai alterar o modelo de negócios das empresas ambientais.

O PSOL tem sido corajoso ao denunciar que "vai faltar água e teremos que optar entre o seu uso para abastecimento das famílias ou das indústrias”. Tem que ter muito sangue frio para dizer algo assim e não ficar vermelho, pois não há qualquer sustentação nessa frase. A única coisa certa sobre mudança climática é a incerteza quanto ao futuro. As mudanças são muitas e nem os modelos de previsão do tempo funcionam. O correto é que frente a incerteza, devemos estar preparados para tudo.

Mas nosso capitão parece desconhecer as regras básicas da política, especialmente aquela que diz que política é como nuvem, muda a cada minuto. Se a rejeição a Enel continuar, a venda da Sabesp vai “barrigar”. A rainha das concessões, a CCR, vai ficar triste. Mais para Dona Maria 1ª (de Portugal) do que para Dona Leopoldina (patrona da independência), a empresa não vê o tabuleiro de Xadrez como um todo, especialmente estrago que o asfalto voador no Aeroporto de Navegantes fez em sua imagem.

Enquanto isso, há ideias várias para melhorar o modelo de negócios da Sabesp. Já deixei minha opinião clara, a empresa precisa de investimentos expressivos, e não tem como obter isso. São de 70 a 110 bilhões de reais. Privatizar não é uma escolha, é um imperativo.

Mas há algumas questões não equacionadas na proposta que podem ajudar. Mais de 90% dos danos ao asfalto são oriundos da Sabesp. Seria justo supor que ela deveria ser a responsável pela manutenção de todo o asfalto das cidades, sendo remunerada por uma taxa do asfalto, desdobrada do IPTU. E porque não adotar o modelo norte-americano do lixo orgânico, que é triturado e jogado no esgoto? Aí a empresa seria merecedora de parte da taxa do lixo.

Sei que mudar essas coisas não é fácil. Mas o Brasil não vai dar o salto que precisa escolhendo só a sombra. Governador, detenha sua brigada, pois ela pode transformá-lo num Brancaleone.

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