Olá, gravateiros e gravateiras. Os juros básicos (taxa Selic) estão no menor nível da história: 4,25% ao ano. Após reduzi-los, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sinalizou que deve manter esse patamar inalterado ao longo do ano. Uma das consequências é que a caderneta de poupança vai pagar uma miséria para quem deixar o dinheiro parado lá. Caia fora agora!

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Claro que os juros baixos são uma ótima notícia para economia real, pois ajudam a baratear o crédito a consumidores e empresários. Mas do ponto de vista dos rentistas, acabou a moleza. Já passou da hora de sair da caderneta de poupança,  que sempre foi a zona de conforto dos brasileiros.

A conta é muito simples. A caderneta de poupança paga 70% da taxa Selic, ou seja, 2,975% ao ano. Essa remuneração não ganha nem da inflação oficial, estimada em 3,35% pelos analistas. E olha que a inflação está baixa para os padrões brasileiros.

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Significa, portanto, que o poder de compra de quem investe na caderneta de poupança será menor daqui um ano, embora o valor nominal (sem descontar a inflação) seja maior.

Exemplifico: se você investir R$ 1.000 na poupança, terá R$ 1.029,75 daqui um ano. Porém, com uma inflação de 3,35%, uma cesta de produtos de R$ 1.000 custará R$ 1.033,50 após o mesmo período. Significa que o seu poder de compra diminuirá 0,375% no ano, que é a diferença entre a remuneração da poupança e a inflação.

O que fazer? Quando a Selic estava mais alta, era comum os educadores financeiros orientarem as pessoas a sair da poupança e migrar para o Tesouro Selic, que paga praticamente 100% da taxa básica de juros (na verdade, a taxa Selic over). Continua sendo verdade que o Tesouro Selic é mais vantajoso do que a poupança, mas o detalhe é que o Tesouro Selic também está perdendo da inflação.

Exemplifico: se você investir R$ 1.000,00 no Tesouro Selic, terá R$ 1.032,11 daqui um ano, já descontados o imposto de renda (17,5%) e a taxa de custódia da B3. Repare que o valor é maior que o da poupança (R$ 1.029,75), mas inferior ao valor da cesta de produtos atualizado pela inflação (R$ 1.033,50). Conclusão: o Tesouro Selic não protege o dinheiro da inflação, embora seja melhor do que a caderneta de poupança.

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Diante deste cenário, só há duas alternativas. Procurar investimentos em renda fixa que paguem acima de 100% do CDI (há debêntures e CDBs bem atraentes) ou migrar para o mercado de ações. O ideal, na minha opinião, é diversificar, colocando de 10% a 30% na Bolsa de Valores, no máximo. Na renda fixa, mesclar títulos públicos com papeis privados. E, definitivamente, esqueça a caderneta de poupança . Virou piada de mau gosto!

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