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O colunista Luís Artur Nogueira mostra por que os investidores que continuarem sendo conservadores correm o risco de perder da inflação

Olá, gravateiros e gravateiras. Os juros básicos (taxa Selic) estão em 5,5% ao ano e devem cair ainda mais. Nesta quarta-feira (30), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central vai reduzir a Selic para 5% e, provavelmente, executará mais um corte no fim do ano.

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Juros baixos são como um energético para economia real, pois ajudam a baratear o crédito a consumidores e empresários. É verdade que, especialmente no Brasil, a redução no custo dos empréstimos não vem ocorrendo por conta da enorme concentração bancária, mas isso é tema para outro artigo.

Se, por um lado, a queda dos juros básicos é benéfica para o crescimento econômico, por outro obriga os investidores (também conhecidos como rentistas) a saírem da zona de conforto e buscarem o risco.

De forma bem simplificada, a busca pelo risco tem dois caminhos. Um deles é tirar o dinheiro de aplicações financeiras e empreender no mundo real, ou seja, abrir um negócio, gerar empregos e apostar numa taxa de retorno maior do que a dos títulos públicos. Com os juros em queda, fica mais fácil obter uma taxa de retorno atraente num empreendimento.

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Outro caminho é manter o dinheiro no mercado financeiro, mas aumentar a fatia dos recursos em renda variável, incluindo ações e fundos multimercados. Os investidores mais conservadores tendem a concentrar o dinheiro em aplicações atreladas a taxa de juros. Com a queda acentuada da Selic, vão ganhar cada vez menos se mantiverem essa estratégia. Em muitos casos, podem até perder da inflação (não vou nem comentar a remuneração pífia da caderneta de poupança).

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Existe uma regra básica no mercado financeiro. Quanto maior o risco, maior a possibilidade de ganho (e de perdas, é claro). E vice-versa. Não existe aplicação com baixo risco e elevado retorno. Só as pirâmides fraudulentas prometem isso. Portanto, os juros abaixo de 5% vão necessariamente tirar os investidores da zona de conforto. E, acredite, isso é bom para o Brasil. Assista a seguir a um vídeo sobre investimento em Bolsa de Valores.