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O colunista Luís Artur Nogueira explica quais são os riscos políticos e econômicos que podem interferir na Bolsa de Valores

Olá, gravateiros e gravateiras. A economia brasileira segue morna, mas a Bolsa de Valores de São Paulo voltou a subir. A barreira simbólica dos 100 mil pontos pode ser novamente rompida nos próximos pregões. Nesta terça-feira (18/6), o índice Bovespa fechou em 99.392 pontos. Faz sentido esse movimento financeiro de alta enquanto o mundo real está quase paralisado?

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Pode fazer sentido se considerarmos que os investidores em renda variável (no caso, ações) olham para o futuro e não ficam se preocupando com o presente. O futuro indica que o Banco Central vai reduzir os juros, algo que eu venho defendendo há meses. A queda na taxa básica (Selic) diminui a rentabilidade dos títulos pós-fixados, aumentando a atratividade das ações. Isso favorece a marca dos 100 mil pontos .

Além disso, o futuro da economia brasileira pode ser promissor se o Congresso Nacional aprovar uma boa Reforma da Previdência. No mercado, a avaliação quase consensual é a de que uma boa reforma significa uma economia de, no mínimo, R$ 800 bilhões ao longo de dez anos.

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Como o relatório apresentado recentemente prevê uma economia superior a R$ 900 bilhões, os investidores estão otimistas. Mas atenção: o Congresso Nacional pode desidratar ainda mais a proposta, que previa inicialmente uma economia de R$ 1,2 trilhão no mesmo período.

Há, portanto, vários riscos políticos e econômicos pela frente que podem inviabilizar um patamar sustentável acima de 100 pontos na Bolsa, nos próximos meses. O Banco Central pode teimosamente decidir não reduzir os juros, e o Congresso Nacional pode ter uma atitude populista e desfigurar ainda mais a reforma das aposentadorias apresentada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Além disso, eu acrescentaria outras ameaças à alta das ações. O presidente Jair Bolsonaro pode provocar novos ruídos na economia, a exemplo da demissão do presidente do BNDES, Joaquim Levy. Já o cenário internacional tende a ser menos favorável em termos de crescimento econômico, o que pode esfriar os preços de algumas commodities.

Diante das incertezas, eu continuo recomendando cautela aos pequenos investidores. Sugiro alocar em Bolsa entre 10% e 30%, no máximo, do seu dinheiro disponível para investimentos.

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Tendo em mente esse percentual, fica mais fácil responder à pergunta feita no título deste artigo. É hora de comprar ações com a Bolsa perto dos 100 mil pontos ? Se a sua fatia em renda variável é pequena, há espaço para comprar papeis. Se você já está no limite de 30%, não é hora de exagerar. Assista a seguir a um vídeo que fala sobre uma dica infalível antes de investir.