
A presença feminina em profissões tradicionalmente ocupadas por homens vem ganhando espaço no mercado de trabalho brasileiro. Em São Paulo, esse movimento também aparece no transporte ferroviário: as mulheres representam 27,3% dos condutores de trens das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, operadas pela ViaMobilidade. Segundo a concessionária, o número de colaboradoras cresceu mais de 20% nos últimos quatro anos, considerando todas as áreas da empresa.
O cenário acompanha uma transformação mais ampla no país. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em setembro de 2026, apontam que o Brasil alcançou 103 milhões de pessoas ocupadas em 2025, o maior contingente da série histórica iniciada em 2012. Desse total, 44,8 milhões eram mulheres.
Os indicadores também mostram diferenças na formalização dos negócios. Em 2025, 85,8% das mulheres empregadoras tinham empresas registradas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), ante 79% dos homens empregadores.
Os números ajudam a dimensionar a participação feminina na economia, embora não representem uma medida direta da presença das mulheres em profissões específicas, como a condução de trens.
No setor ferroviário, os dados da ViaMobilidade mostram como essa transformação aparece em uma atividade que exige treinamento técnico, atenção à segurança e responsabilidade pela circulação de passageiros.
Capacitação abre caminho para novas funções
Nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, a estratégia da concessionária envolve atrair, capacitar e manter mulheres em diferentes áreas da operação. A proposta é permitir que as profissionais desenvolvam novas habilidades e busquem outras funções dentro da empresa, conforme seus interesses e aptidões.

Uma das portas de entrada é o cargo de agente de atendimento e segurança (AAS). Depois de ingressar na concessionária, a colaboradora pode participar de uma trajetória de desenvolvimento profissional e se preparar para outras posições, com formação teórica e prática.
De acordo com a empresa, o número de mulheres em seu quadro de funcionários aumentou mais de 20% nos últimos quatro anos. Entre os condutores de trens, elas representam atualmente 27,3% do total.
A expectativa da concessionária é chegar perto dos 30% de participação feminina nessa função até o fim de 2026. A meta ainda não foi alcançada, e a empresa prevê que o crescimento continue de forma gradual.
O avanço também depende da abertura de oportunidades e da preparação das profissionais para assumir novas responsabilidades. Nesse processo, a possibilidade de acompanhar a trajetória de outras mulheres dentro da operação pode contribuir para ampliar o interesse pelas vagas.
Aumento de passageiros exige mais profissionais
A demanda por transporte também influencia a necessidade de contratação. Segundo a ViaMobilidade, as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda registraram alta de 4,2% no número de passageiros no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Com mais pessoas circulando pelas estações e utilizando os trens, cresce a necessidade de profissionais para orientar passageiros, apoiar a operação e contribuir para a segurança dos usuários e dos trabalhadores.
Os agentes de atendimento e segurança desempenham funções como prestar informações nas estações, auxiliar passageiros nas áreas de circulação e monitorar ambientes operacionais.
Para quem deseja ingressar no setor, a função também pode representar uma oportunidade de construir carreira no transporte ferroviário.
Entre os requisitos informados pela concessionária para essas vagas estão ensino médio completo, certificado de conclusão do curso de vigilante e disponibilidade para trabalhar em regime de turnos.
As condições de participação e as etapas de seleção devem ser consultadas nos canais oficiais da empresa.
Linha 5-Lilás se aproxima da paridade
O crescimento da participação feminina também aparece na Linha 5-Lilás, operada pela Motiva. Segundo a concessionária, as mulheres representam 46% do quadro de operadores de trem.

Considerando toda a área de tráfego, que inclui supervisão, escala e agentes de atendimento e segurança, o percentual chega a 48%.
O resultado foi impulsionado, entre outros fatores, pela formação de nove mulheres nas duas últimas turmas de capacitação para operadores de trem. Parte delas já trabalhava na empresa e passou a exercer uma nova função.
É o caso de Camila Fernandes, que iniciou sua trajetória como agente de atendimento e segurança antes de se tornar operadora de trens. A mudança representou uma oportunidade de crescimento profissional dentro da companhia.
“Esta nova função representa a conquista de um objetivo pessoal, realizado com muita dedicação e persistência”, afirmou Camila.
A concessionária espera alcançar a paridade entre homens e mulheres na função de operador de trem da Linha 5-Lilás até o fim de 2026. A previsão, porém, ainda depende da evolução das contratações e das movimentações internas.
Nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, a participação feminina permanece abaixo desse patamar. Ainda assim, os números informados pela empresa mostram a ampliação da presença das mulheres em funções operacionais do transporte ferroviário.
O cenário nacional e os dados do setor mostram dimensões diferentes do mercado de trabalho. Enquanto o IBGE registra um contingente recorde de pessoas ocupadas no país, os indicadores da concessionária revelam como as mulheres vêm conquistando espaço em atividades técnicas e operacionais. O desafio agora é transformar esse avanço em oportunidades contínuas de ingresso, qualificação e progressão profissional.