
Produzir asfalto exige calor, muito calor. Ou seja: muita energia e, consequentemente, muitas emissões de gases de efeito estufa. E, diante dos eventos extremos, como tempestades e vendavais, a necessidade de recapeamento de ruas e estradas acaba sendo cada vez mais frequente.
A novidade é que um novo tipo de asfalto desenvolvido para combinar menos impacto ambiental, mais durabilidade e resistência a condições climáticas extremas está chegando ao mercado brasileiro.
Criado pela BASF, o B2Last já foi avaliado em projetos realizados com instituições acadêmicas e técnicas na Europa e nos Estados Unidos, onde apresentou resultados positivos mesmo em condições severas de clima.
A resistência está relacionada às propriedades do pavimento. O B2Last amplia a faixa de temperatura útil do ligante asfáltico e aumenta sua resistência a trincas e deformações, como as chamadas trilhas de roda, provocadas pela passagem repetida de veículos. Na prática, essas características ajudam o asfalto a preservar seu desempenho por mais tempo.
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O produto é um modificador reativo líquido incorporado ao ligante durante a fabricação do asfalto. Ele forma uma rede reativa no material e pode ser utilizado tanto em misturas quentes quanto mornas, sem separação de fases. A tecnologia também melhora a interação com asfalto reciclado.
Menos calor e menos emissões
Um dos principais ganhos ambientais está na temperatura de produção. Enquanto o asfalto quente tradicional é trabalhado a cerca de 170°C, com o B2Last a mistura pode ser produzida e aplicada a aproximadamente 140°C — uma redução de 30°C.
Segundo os dados apresentados pela BASF, essa diferença pode diminuir em torno de 10% o consumo de combustível e as emissões de CO₂ durante a produção. As temperaturas menores também reduzem os vapores de betume e aerossóis no canteiro de obras.
A durabilidade acrescenta outro componente à conta ambiental. Um pavimento que resiste melhor a fissuras e deformações tende a exigir menos intervenções ao longo de sua vida útil — e manutenção de estradas envolve novos materiais, máquinas, transporte e energia.
De acordo com a companhia, o aumento da durabilidade pode contribuir para uma redução de até 50% das emissões consideradas ao longo de todo o ciclo de vida do pavimento.
Asfalto velho volta para a estrada
Outro diferencial é a possibilidade de incorporar uma proporção maior de asfalto reciclado, conhecido pela sigla RAP. Trata-se do material recuperado de pavimentos antigos, que pode ser processado e utilizado novamente na produção de novas misturas.
O B2Last melhora a interação com esse material e permite utilizar teores elevados de asfalto reciclado sem comprometer a capacidade de trabalho da mistura. Na prática, uma parcela maior do pavimento retirado de uma estrada pode retornar para a própria cadeia de pavimentação.
No Brasil, a BASF e a Fundação Eco+ ainda estão realizando estudos para medir os impactos e benefícios ambientais da utilização do B2Last na nossa infraestrutura rodoviária.