
Você já parou para pensar no que acontece com os materiais que uma indústria descarta? Em vez de jogar tudo fora, muitas empresas estão buscando formas de reaproveitar esses recursos e reduzir o desperdício para economizar. Essa é a proposta da economia circular, que já está presente em 57% das indústrias brasileiras.
Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), ouviu mais de 1,6 mil indústrias por todo Brasil. De acordo com o levantamento, mais da metade das empresas já usa, pelo menos, uma prática para aproveitar melhor os materiais e diminuir a geração de resíduos.
Apesar disso, o número muda de acordo com o tamanho da empresa. Entre as grandes indústrias, 66% já adotam essas iniciativas. Nas médias, são 54%, enquanto nas pequenas o percentual cai para 43%.
Mas o que é economia circular?
O processo desse modelo costuma seguir uma lógica linear: retirar matérias-primas da natureza, produzir, consumir e descartar. A economia circular propõe uma mudança nesse modelo, buscando manter produtos e materiais em uso pelo maior tempo possível.
Isso pode acontecer por meio de reparos, reutilização, remanufatura e reciclagem. Em vez de considerar um produto sem uso como o fim da cadeia, a proposta é encontrar outras maneiras de aproveitar os componentes novamente.
Nesse caso, a ideia é importante porque muitos aparelhos possuem materiais que ainda podem ter valor mesmo depois que o equipamento deixa de funcionar.
Na indústria, isso pode acontecer de várias formas. Uma fábrica de papel, como um exemplo, pode utilizar papel reciclado como matéria-prima para produzir novas embalagens. Já no setor de eletrônicos, celulares e computadore s descartados podem ser desmontados para recuperar plásticos e metais que ainda podem ser utilizados na fabricação de outros produtos.
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Reciclagem é a prática mais comum
Quando o assunto é economia circular, a reciclagem aparece na frente. Conforme a pesquisa, 32% das empresas entrevistadas afirmam adotar essa prática.
Em sequência, aparecem a logística reversa de produtos e embalagens e o uso de materiais reciclados na fabricação de novos produtos, ambos citados por 26% das indústrias.
Na prática, a logística reversa funciona como um caminho de volta: depois de usados, produtos e embalagens podem retornar às empresas para reaproveitamento, reciclagem ou descarte adequado.
Alguns setores estão mais avançados nesse modelo. A pesquisa aponta que 86% das empresas fabricantes de equipamentos de informática e eletrônicos adotam práticas de economia circular. Na indústria de produtos de borracha 85%.
Outros com destaque estão os setores de celulose e papel, com 78%; calçados, com 76%; e biocombustíveis, com 75%.
Os números mostram que a ideia de reaproveitar materiais já está ganhando espaço em diferentes áreas da indústria, mas ainda existem empresas que precisam avançar.
Economia circular também pode ajudar o meio ambiente
Além de diminuir o desperdício, reaproveitar materiais pode ajudar a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, que contribuem para o aquecimento global.

As empresas que já adotam práticas de economia circular, 57% acreditam que essas ações ajudam a reduzir as emissões. Já nas grandes indústrias, esse percentual chega a 64%. Já entre as médias, é de 53%, e nas pequenas, de 46%.
Em setores como biocombustíveis, produtos de borracha, bebidas e celulose e papel, mais de 70% das empresas reconhecem essa contribuição.
A iniciativa também está relacionada para metas climáticas do Brasil, que incluem ações para reduzir as emissões e alcançar a neutralidade climática até o ano de 2050.
Empresas esperam gastar menos e inovar mais
A economia circular não traz benefícios apenas para o meio ambiente.Ela também pode ser uma forma de economizar e melhorar os resultados do negócio.
Segundo o levantamento, 40% das indústrias apontam a redução dos custos operacionais como um dos principais benefícios esperados. Já os outros 31% destacam a melhora da imagem da empresa, enquanto 30% enxergam oportunidades de inovação em produtos, processos e serviços.
Mas nem todo mundo consegue medir os resultados, 46% das empresas afirmam não saber calcular o impacto direto da economia circular sobre o faturamento.
Isso acontece porque alguns benefícios podem levar algum tempo para aparecer. Economizar matéria-prima, aproveitar resíduos e desenvolver novos produtos são mudanças que podem gerar resultados de maneira gradual.
Falta de dinheiro e informação ainda é um problema
Mesmo com essas vantagens, colocar a economia circular em prática ainda é um desafio para muitas empresas.
Entre os obstáculos econômicos, 25% dos entrevistados citam a falta de procura por produtos circulares e as taxas de juros elevadas. Outros 23% apontam diferenças tributárias entre materiais reciclados e matérias-primas virgens.
Na parte tecnológica, 30% das empresas afirmam que a principal dificuldade é encontrar soluções que sejam financeiramente viáveis.
As pequenas indústrias também enfrentam problemas com falta de mão de obra qualificada, citada por 21% delas.
E não são apenas as empresas que precisam se adaptar a este modelo. A falta de informação dos consumidores também vem pesando: 37% dos industriais apontam o desconhecimento do público como uma barreira. Além disso, 21% afirmam que ainda existe uma visão negativa sobre produtos circulares.
Então, para que a economia circular cresça, é importante que as empresas tenham condições de investir e que os consumidores entendam melhor as vantagens de escolher produtos que aproveitam recursos e reduzem o desperdício.
Indústria pede incentivos para avançar
Para ampliar a economia circular no país, os empresários defendem mais incentivos e apoio financeiro. Conforme a pesquisa, 47% dos industriais apontam a necessidade de investimentos em infraestrutura de reciclagem e logística reversa. Outros 46% defendem incentivos para projetos de inovação na área.
Os dados mostram que a economia circular já faz parte da realidade de muitos, mas ainda existe um caminho pela frente.